A maioria dos membros do Conselho do Património Cultural não é favorável à classificação dos Estaleiros de Lai Chi Vun, embora entenda que a zona deve ser objecto de revitalização e aproveitamento. Um dos argumentos invocados prende-se com possíveis limitações aos trabalhos de revitalização e aproveitamento da zona resultantes da Lei de Salvaguarda do Património. A posição foi manifestada numa reunião à porta fechada, motivando ontem o Instituto Cultural a explicar que terá ainda de analisar mais opiniões, nomeadamente da consulta pública, cujos participantes se manifestaram maioritariamente no sentido da classificação dos estaleiros
Catarina Almeida
Das três centenas de opiniões recolhidas durante a consulta pública sobre o procedimento de classificação de bem-imóvel dos estaleiros de Lai Chi Vun, mais de 90% reconheceram o seu valor bem como a necessidade de proceder à revitalização, sendo que esta deve ter em consideração as características, detalhes históricos e envolvente paisagística. Neste sentido, 80% mostraram-se favoráveis à abertura do procedimento de classificação dos estaleiros – que terá de ser concluído até Dezembro.
Os dados foram revelados aos jornalistas pela presidente do Instituto Cultural (IC), Mok Ian Ian, um dia depois do Conselho do Património Cultural se ter reunido, à porta fechada, tendo abordado o processo de classificação dos estaleiros de Lai Chi Vun. “A abertura ou não da reunião foi uma decisão do Secretariado” da tutela, justificou Mok Ian Ian, acrescentando que “algumas informações não estão muito claras e, por isso, quisemos evitar uma situação que possa causar preconceito”.
Nessa reunião, os membros do Conselho do Património Cultural reconheceram que a zona dos estaleiros de Lai Chi Vun deve ser alvo de revitalização e aproveitamento, a fim de ter melhor desempenho como recurso cultural. Todavia, 14 dos 17 presentes defenderam que, se a classificação como bem imóvel avançar, a zona ficará sujeita às exigências estabelecidas na “Lei da Salvaguarda do Património Cultural”, o que, assim, poderá não beneficiar a sua revitalização e aproveitamento. Assim, “atendendo ao maior benefício da sociedade global”, a maioria dos membros do Conselho não é favorável à classificação.
Contudo, sendo a questão financeira um dos argumentos apresentados pelo Conselho, nem a presidente do IC nem a vice-presidente, Leong Wai Man, avançaram com estimativas de orçamentos caso o processo de revitalização dos estaleiros de Lai Chi Vun avance.
“Temos de fazer mais uma análise”, disse Leong Wai Man, garantindo que o relatório da consulta pública será publicado na próxima semana. “Na reunião, o Conselho disse que alguns destes estaleiros foram restaurados por trabalhadores navais. Restaurar de acordo com a aparência original poderá custar muito dinheiro e contando com mais de 10 lotes deve envolver uma despesa muito grande”, disse a vice-presidente.
Ainda assim, não obstante a posição maioritária do Conselho sobre a classificação de Lai Chi Vun este processo continua em aberto, indicou Leong Wai Man, sem avançar com uma decisão final, por ser necessário “analisar mais” as opiniões – agora que passaram três meses do fim da auscultação pública. Questionada sobre o orçamento estimado caso avancem os trabalhos de revitalização dos actuais 16 estaleiros com unidades fabris conexas, a vice-presidente do organismo negou-se a dar informações concretas, pois tal só será anunciado aquando da apresentação de uma posição formada sobre a procedimento de classificação da zona.
Em todo o caso, disse que o actual orçamento do organismo para trabalhos de conservação do Património – incluindo actividades de promoção e educação no sentido da salvaguarda – ascendem a 50 milhões de patacas.
De recordar que a abertura do actual procedimento de classificação de Lai Chi Vun foi anunciada pelo Instituto Cultural após a recepção a 22 de Março de 2017 de um requerimento de uma associação local juntamente com 670 assinaturas de residentes apelando nesse sentido.



