Aproveitando a visita ao país de José Luís Carneiro, as conselheiras das Comunidades na Austrália vão tentar obter apoios adicionais para o ensino do português. O Secretário de Estado marcará presença na reunião do Conselho Regional da Ásia e Oceânia, presidido por Rita Santos
O secretário de Estado das Comunidades começou ontem em Sydney uma visita de mais de uma semana à Austrália e Nova Zelândia, acompanhado do presidente do Instituto Camões, Luís Faro Ramos. José Luís Carneiro estará presente numa reunião do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas. A eleição anual e a aprovação do relatório de actividades de 2017 e do plano de actividades para este ano dominam a agenda do conselho regional, presidido por Rita Santos.
Para Sílvia Renda, uma das duas conselheiras das Comunidades na Austrália, a presença de Luís Faro Ramos na comitiva torna o debate sobre esse assunto ainda mais oportuno. “Tem havido muito trabalho em relação ao ensino e em alguns casos é um trabalho que vem de há muito anos, mas há necessidade de ampliar os apoios. Estamos longe de tudo, o país é grande e os desafios são grandes”, disse à Lusa a conselheira pelo estado de Victoria.
“É uma oportunidade para falar directamente com o presidente do Camões sobre estes desafios. Precisamos de ter mais contactos dos alunos com material e até com escritores que, por exemplo, visitam Nova Gales do Sul, mas depois não chegam a outros locais do país”, referiu.
Nesta visita de José Luís Carneiro, serão assinados protocolos de cooperação com dois municípios australianos, com envolvimento de associações portuguesas na Austrália, para reforçar a integração institucional e a capacidade de intervenção em áreas como a educação, a cultura e o apoio social. Os protocolos com Inner West Sydney e Melbourne, os dois primeiros estabelecidos pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros fora da União Europeia, destinam-se a “abrir as instituições locais ao movimento associativo, tendo em vista promover a cultura, a dinamização do apoio social ao movimento associativo”, explicou o governante.
No encontro com o secretário de Estado, as conselheiras esperam ainda falar de aspectos como a necessidade de ampliar iniciativas de apoio social para uma comunidade “cada vez mais envelhecida” como é a portuguesa na Austrália. “Também aqui o maior problema é espaço. Há bons projectos, boas iniciativas, como a do Welfare Center em Sydney, mas para as conseguirmos transportar para outros Estados tem de haver mais investimento, mais ajuda”, afirmou.
As grandes distâncias no país são um desafio para o trabalho do Conselho da Comunidades, com as conselheiras sem orçamento para visitar os vários Estados, incluindo à Austrália Oriental onde “a comunidade está sem apoio consular”.
Silvia Renda considerou ainda que a visita à Austrália pode ser uma oportunidade para recomeçar as negociações com Camberra de um acordo reciproco de saúde. “Neste momento não temos isso, o que significa que pessoas que viajem temporariamente para a Austrália têm de obter seguro ou arriscam-se a ficar em situações difíceis”, afirmou. “Sabemos que há acordos parecidos com outros países, o turismo para cá está a aumentar e o acordo recíproco beneficiaria os dois países”.
Durante a visita serão homenageados, com a entrega da Medalha de Mérito das Comunidades, dois cidadãos portugueses radicados na Austrália, Graciete Ferreira e José Manuel de Góis e será também atribuída a Placa de Mérito das Comunidades ao Museu Etnográfico Português da Austrália.
JTM com Lusa



