Temendo dificuldades para encontrar emprego por não serem credenciados, os conselheiros psicológicos gostariam de ser incluídos no Regime Legal da Qualificação de Inscrição para o Exercício de Actividade dos Profissionais de Saúde, porém, o Governo não aceitou o pedido. Apesar disso, garantiu que, depois do regime entrar em vigor, esses profissionais vão poder continuar a exercer o seu trabalho
Rima Cui
Actualmente, existem em Macau cerca de 300 conselheiros psicológicos a trabalhar em serviços sociais e escolas. No entanto, o Regime de Credenciação dos Assistentes Sociais e o Regime Legal da Qualificação e Inscrição para o Exercício de Actividade dos Profissionais de Saúde não incluem esses profissionais. O sector teme que a exclusão do sistema de credenciação leve a uma quebra na contratação desses profissionais.
Em conferência de imprensa, Ella Lei e Leong Sun Iok pediram às autoridades para disponibilizarem um mecanismo de credenciação profissional dos conselheiros psicológicos. Segundo Lao Wan U, directora da Federação de Análise Psicológica Chinesa, muitas pessoas e entidades confundem conselheiros com psicoterapeutas, pelo que é necessário melhorar o sistema para que os serviços sejam prestados correcta e adequadamente.
Tendo em conta o aumento de casos de problemas psicológicos devido a desastres naturais, abuso sexual ou “bullying” escolar, os conselheiros, enquanto profissionais da linha da frente entendem que precisam de um sistema, que esclareça o seu papel, no processo de coordenação com o tratamento médico e a assistência social.
Por sua vez, os Serviços de Saúde (SSM) argumentaram que a decisão de emitir apenas uma licença para psicoterapeutas resultou de um consenso alcançado após uma consulta aos representantes do sector. Em comunicado, os SSM salientaram que o facto do regime sobre a inscrição dos profissionais de saúde não incluir os conselheiros não significa que a sua existência esteja a ser negada, simplesmente que as características do trabalho são diferentes, porque não implicam tratamento clínico.
A essência do aconselhamento é a assistência e não o tratamento, enquanto um psicoterapeuta avalia, diagnostica e trata, sustentou o organismo.
“Mesmo que entre em vigor o regime, os conselheiros podem continuar a trabalhar. Têm apenas de ter cuidado para não ultrapassar o seu âmbito de trabalho”, indicaram os SSM.
Por sua vez, Sulu Sou criticou numa interpelação escrita a falta de explicações do Governo sobre os novos critérios para a acreditação dos psicoterapeutas. Citando o sector, o deputado disse existirem psicoterapeutas registados e a trabalhar mas sem formação em psicologia clínica. O deputado instou o Governo a ponderar a criação de um mecanismo de transição, para que os profissionais estejam sujeitos à formação contínua, para mais tarde satisfazerem as exigências do regime.



