Sobretudo tendo em conta que têm sido pedidos diversos “workshops” de culinária, a Confraria da Gastronomia Macaense vai tentar voltar a negociar com o Executivo a concessão de um espaço onde possa ser instalada uma sede. Luís Machado acredita que uma vez que Macau integra agora a Rede de Cidades Criativas da UNESCO em Gastronomia é mais provável que o Governo aceda ao pedido
Inês Almeida
A Confraria da Gastronomia Macaense elegeu os novos corpos gerentes para o triénio 2018/2020 apenas com ligeiras alterações nomeadamente para “ter mais capacidade em relação às propostas que têm surgido de fazer workshops de cozinha”, explicou o presidente. “Temos mais chefs na direcção como Florita Morais Alves, Carlos Cabral, Berta Lei, Rita Cabral e Antonieta Manhão. Fundamentalmente, queremos uma ligação maior com o público”, frisou Luís Machado em declarações à TRIBUNA DE MACAU. “Temos sido muito solicitados para fazer workshops”, assegurou.
Em Março decorrerá a semana da gastronomia macaense no Instituto de Formação Turística (IFT) motivada pela inclusão de Macau na Rede de Cidades Criativas da UNESCO no ramo da Gastronomia que “vai fazer com que haja um salto muito grande na promoção da cozinha macaense”.
No calendário da Confraria para este ano está também a participação numa feira em Fuzhou, em parceria com o IFT e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau. “A Feira tem muitos milhares de pessoas e vamos ver se conseguimos ter dois chefs a representar a gastronomia macaense”, indicou Luís Machado.
Porém, para a plena organização de actividades como as já mencionadas “o fundamental seria ter acesso a uma cozinha e a uma sede”. “Tem sido o nosso cavalo de batalha ao longo de vários anos mas acredito que não seja fácil para o Governo atribuir sedes e espaços a todas as associações”. Porém, o presidente da Confraria acredita que “com esta nomeação [da UNESCO] e esta promoção da cozinha macaense seja mais fácil conseguirmos o desiderato de ter uma cozinha onde possamos dar as aulas para todos”.
Luís Machado aponta que a Associação dos Jovens Macaenses tem solicitado a promoção de workshops mas a falta de um espaço “limita muito a divulgação da cozinha macaense”. Para a obtenção de uma sede, a Confraria já teve “vários contactos” com a Direcção dos Serviços de Turismo. Além disso, “na próxima conversa que tivermos com o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura vamos tentar fazer ver esta nossa pretensão que já vem quase de há 10 anos e nos tem impedido de dar mais e melhor do esforço dos nossos chefs que vão fazendo o que podem”.
“O nosso objectivo é conseguir promover a gastronomia macaense entre todos, desde os mais jovens aos mais idosos mas, fundamentalmente, fazer com que os jovens de Macau conheçam a arte da cozinha macaense que tem quase 500 anos e vale a pena apreciar e degustar”, defendeu Luís Machado.
Investir em sangue novo
Tentar chegar aos mais novos continua a ser também uma das prioridades do Conselho das Comunidades Macaenses (CCM). “Este ano o que temos de fazer é prosseguir com o trabalho que tem sido feito de ajudar as Casas de Macau a renovarem-se, a encontrar sangue novo, e apoiá-las no sentido de contribuírem para um projecto muito importante da Fundação Macau que é a “Memória de Macau”, frisou José Luís Sales Marques, apontando que as Casas de Macau de todo o mundo têm contribuído com fotografias e depoimentos.
“Temos Casas que estão já a pensar no próximo ano porque há o Encontro [de Macaenses] e na divulgação da gastronomia macaense, que é muito importante. As Casas estão todas com muita vontade de trabalhar e ajudar o Governo a promover Macau como cidade criativa da Gastronomia”, sublinhou o presidente do CCM.
“Ainda é muito cedo” para adiantar pormenores do Encontro de Macaenses que acontece no próximo ano. “Este ano vai ser o Encontro de Jovens Macaenses mas temos a Associação de Jovens e vamos apoiá-la porque ela é a força motriz do encontro”, garantiu José Luís Sales Marques.



