O concurso público para as obras de expansão da Central de Incineração deverá ser realizado ainda em 2018, avançaram os Serviços de Protecção Ambiental a este jornal. Na primeira metade do ano, registou-se um aumento de 240% nos metais reciclados, face ao período homólogo. Além disso, verificou-se uma diminuição percentual residual de 0,04% nos lixos recebidos, equivalente a 104,2 toneladas
Liane Ferreira
A Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) “está a avançar, de forma ordenada, com os trabalhos preparatórios da 3.ª fase de expansão da Central de Incineração dos Resíduos Sólidos”, avançou o organismo à TRIBUNA DE MACAU. Segundo as previsões, os planos para ampliação deverão entrar em “processo de concurso público ainda em 2018”.
O calendário oficial indica que a construção da terceira fase deve prolongar-se entre 2020 e 2022, sendo que nessa altura também deve começar a primeira fase de instalação da central de recolha e tratamento de resíduos alimentares.
O estudo de viabilidade e anteprojecto da terceira fase de expansão da Central foi adjudicado em Novembro de 2016 por 16,88 milhões de patacas à Consultores de Engenharia Sinomac. A esta empresa também foi entregue a avaliação de impacto ambiental do projecto por 6,28 milhões em Dezembro de 2017.
Nos primeiros seis meses deste ano, a Central de Incineração de Resíduos Sólidos (CIRS) de Macau recebeu 260.370,5 toneladas de lixos, o que representa um decréscimo reduzido de 0,04% face ao mesmo período de 2017, equivalente a 104,2 toneladas. Só em Maio, a Central recebeu 46.455,93 toneladas de resíduos.
Por outro lado, nas estatísticas ambientais disponibilizadas pela DSPA, é de salientar o crescimento significativo de 240% na recuperação de metais na CIRS, no mesmo período de tempo. Assim, entre Janeiro e Junho, foram recuperadas 584,23 toneladas de metais face às 171,47 do semestre homólogo. Entre os mesmos meses de 2016 e 2017, já se tinha registado um aumento de 67% na mesma categoria.
A incineração é um método útil de eliminação de resíduos combustíveis, no entanto, não se revela tão vantajoso para metais, vidros e plásticos que têm menos poder calorífico. Assim, os metais que contenham ferro são seleccionados e entregues a empresas de recolha para posterior reciclagem e transformação em recursos, clarificou a DSPA a este jornal.
Maio e Junho sobressaíram como os meses em que mais metais foram reciclados na Central, respectivamente 104,86 e 113,72 toneladas.
Em termos de capacidade de produção, a CIRS mantém uma tendência de crescimento estável. Na análise aos megawatts produzidos verifica-se um aumento de 2% para 98.892,09 no primeiro semestre de 2017, face ao mesmo período de 2016 e um acréscimo anual de 2,7% para 101.637,69 na primeira metade de 2018.
No início do corrente ano, foi publicado o Planeamento de Gestão de Resíduos Sólidos, documento no qual a DSPA indica pretender que, no intervalo de 10 anos, cada cidadão produza menos 0,63 quilos de resíduos sólidos por dia, passando para 1,48 quilos em 2026.
No planeamento, os Serviços de Protecção Ambiental admitiram que a grande pressão no tratamento de resíduos em Macau está a “atingir um nível crítico” e o problema de gestão é “iminente”. O planeamento preconiza um investimento a longo prazo nas infra-estruturas.



