O Instituto Cultural prevê realizar o concurso público sobre a elaboração do projecto da Nova Biblioteca Central durante o primeiro trimestre deste ano, revelou o organismo à TRIBUNA DE MACAU. A concretizar-se o novo calendário, o concurso será efectuado com mais um ano de atraso face à data anteriormente prevista

 

Liane Ferreira

 

Inicialmente apontado para finais de 2016 ou início de 2017, o concurso público relativo ao projecto da nova Biblioteca Central de Macau esteve em suspenso até agora. No entanto, o Instituto Cultural (IC) adiantou à TRIBUNA DE MACAU que esse processo deverá avançar até Março deste ano.

“Relativamente à ‘elaboração do projecto da Nova Biblioteca Central de Macau’, prevê-se que será realizado o concurso público no primeiro trimestre”, disse o IC numa resposta por e-mail enviada a este jornal, recordando que actualmente o edifício localizado no centro da cidade está a ser alvo de uma “vistoria detalhada” e sujeito a “trabalhos de manutenção da fachada exterior”.

De acordo com declarações anteriores, o concurso será realizado em conjunto com a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes e tem por objectivo atrair “talentos locais”, não devendo ser aberto à participação internacional.

Em 2008, chegou a ser realizado um concurso de arquitectura do projecto, que no entanto seria suspenso após uma investigação do Comissariado Contra a Corrupção (CCAC).

Oito anos depois, o projecto de renovação do edifício do Antigo Tribunal voltou a estar envolto em polémica, ao gerar críticas sobre a escolha do local para a Nova Biblioteca Central. No entanto, o Governo manteve a sua posição, tendo o então presidente do IC, Ung Vai Meng, frisado que não se podia “perder mais tempo”.

Nessa altura, previa-se que o projecto de concepção pormenorizada estivesse concluído em 2018 por forma a que a Biblioteca Central entrasse em funcionamento em 2020. O Instituto Cultural defendeu então um design pragmático, tendo em vista um prazo de utilização que corresponda às necessidades dos próximos 50 anos.

No campo da contestação, além da questão da localização, o Governo também foi criticado por apontar para um investimento de pelo menos 900 milhões de patacas na construção, sendo que o IC já advertiu que esse montante poderá ser “revisto após a conclusão do projecto de detalhe”.

Mas, também houve quem defendesse a urgência deste projecto e de outros semelhantes, como Carlos Marreiros que se revelou particularmente incisivo numa reunião do Conselho do Património Cultural. “Em Macau, usam dinheiro para outras coisas mas porque é que reclamam quando é para questões culturais?”, disse o arquitecto, ao defender que o território “não pode continuar” a arrastar este tipo de projectos. “Sempre que alguém diz alguma coisa pára tudo”, lamentou.

A Nova Biblioteca Central, no coração da cidade, ocupará 11 pisos, incluindo subterrâneos, e uma área de 33.000 metros quadrados. O IC prometeu preservar as características arquitectónicas, nomeadamente as fachadas, dos edifícios do Antigo Tribunal e da antiga Sede da Polícia Judiciária, também parte integrante deste projecto.

 

UM LONGO CALENDÁRIO*

2006-2010 (Projecto preliminar)

*Consulta pública e estudos preliminares

* Selecção do local e organização de um concurso de desenho conceptual por convite (resultado do concurso posteriormente anulado)

 

2010-2012 (Projecto preliminar)

Implementação do plano de análise preliminar da primeira fase de planeamento arquitectónico (Edifício do Antigo Tribunal)

 

2013-2015 (Projecto oficial)     

Planeamento arquitectónico global, combinando a primeira fase (Antigo Tribunal) e a segunda fase (Antiga Sede da Polícia Judiciária)

 

2016-2019

Início do projecto de detalhe

 

* Informações do Instituto Cultural