Carlos Fraga já está a finalizar o quarto documentário
Carlos Fraga já está a finalizar o quarto documentário

O quarto documentário inserido na série “Macau, 20 anos depois” foi ontem exibido. A típica atmosfera vivida no Festival de Lusofonia ganha protagonismo no projecto de Carlos Fraga, “Interculturalidade – A lusofonia em Macau”, que permitiu ao realizador perceber que a comunidade “não convive tanto como desejava”

 

Catarina Almeida

 

O Consulado-Geral de Portugal em Macau exibiu ontem o documentário “Interculturalidade – A lusofonia em Macau”, inserido na série “Macau, 20 anos depois”, associada às comemorações das duas décadas de transferência de soberania.

Sob o propósito de “dar a conhecer” como é que a comunidade lusófona vive no território, Carlos Fraga apresentou ontem o quarto de uma série de seis documentários que, neste caso específico, coloca o foco nas comunidades lusófonas. À TRIBUNA DE MACAU, o realizador reconhece que este projecto permitiu-lhe perceber que a comunidade “não convive tanto como desejava”.

“Relacionam-se de alguma maneira e acontecem fenómenos muito curiosos e interessantes que me despertaram bastante interesse: o cruzamento entre elementos das diferentes comunidades e os problemas que depois geram internamente e familiarmente, como digerem esse tema das diferentes culturas a conviverem”, destaca.

Não obstante o pertinente interesse dos relatos dos presidentes das associações representativas de cada comunidade, o Festival da Lusofonia é, de facto, o verdadeiro protagonista a partir do qual se ramificam as relações entre as comunidades e as estórias. “Percebemos que era um dos motivos importantes de várias coisas, [como ser o momento onde se] reúnem diferentes comunidades, que trabalham em conjunto – embora cada uma no próprio stand – e há uma relação entre eles mais próxima quando o Festival da Lusofonia está mais próximo”, explicou Carlos Fraga.

“Quando se juntam no Festival vivem realmente um momento único no ano porque depois o que fazem durante o ano é algumas reuniões mas já quase que dentro de cada uma das comunidades. A relação entre elas dá-se, sim, no Festival”, notou. A inclusão do Festival no documentário também ajudava ao nível visual e auditivo do produtos final uma vez que “tem muita música, muita cor, variedade e luz”.

No que diz respeito à série “Macau, 20 anos depois”, Carlos Fraga indicou que o quinto documentário já está praticamente filmado. Restam poucos dias para captar mais imagens e, dentro de dois meses e meios, estará montado. Este penúltimo projecto foca-se na comunidade macaense, sendo que em Outubro/Novembro, o realizador estará de regresso ao território para filmar o sexto e último documentário – desta feita centrado na comunidade chinesa.

De um modo geral, explicou, o objectivo desta série é “conhecer um pouco melhor qual é a realidade porque o conjunto de seis documentários é uma possível abordagem ao que é o Macau hoje”. Todos os filmes serão exibidos no próximo ano, estando já assegurada a transmissão nos canais da TDM e na RTP.

“A série toda passará também num ciclo na Cinemateca Paixão que já está negociado e fechado. Em Portugal também vamos fazer a projecção dos seis documentários dentro de um ciclo de comemorações dos 20 anos”, disse Carlos Fraga.

Também para o próximo ano está alinhavada a exibição de uma longa-metragem, com o resultado dos seis documentários, em Macau mas que será integrada num evento com direito a debate. “Aproveitaremos esse filme para criar um clima de debate, conversa e penso que pode ser um momento interessante”, concluiu.