Arrancou ontem mais uma edição da Semana de Comunicação Social na Universidade de Macau. A igualdade de género e os direitos das mulheres são dois temas em destaque e que os finalistas daquele curso abordaram nos seus trabalhos finais
Viviana Chan
Começou ontem a 18ª edição da “Commfest”, promovida pela Universidade de Macau (UM), e conhecida também por semana da comunicação social uma vez que inclui trabalhos de finalistas desse curso. Este ano, o tema em destaque relaciona-se com os direitos das mulheres.
“Inicialmente queríamos discutir temas pouco falados em Macau. O movimento #METOO, relacionado com assédio sexual, ecoou em todo o mundo mas, em Macau, são poucas as pessoas a falar disso ainda que saibamos que também temos casos de desigualdade de género e assédio sexual”, referiu a editora da revista em chinês, Ho Ka U.
A mesma responsável reconhece que os residentes mostram-se mais preocupados com questões como os transportes ou a habitação, no entanto, sublinhou, “a nossa iniciativa é abrir espaço para discussão em relação a temas como este”.
A revista é composta por várias secções, incluindo uma resenha sobre a evolução e o panorama da violência doméstica no território, trabalhadoras migrantes, amamentação, entre outros temas. Segundo Ho Ka U, a equipa também tentou explorar o mundo da prostituição em Macau mas sem sucesso. “Não conseguimos encontrar pessoas, e os de Macau são muito conservadores. Tentamos encontrar vítimas de violência doméstica, foi uma tarefa difícil, porque as pessoas temem em falar da sua história uma vez que a cidade é pequena e todos se conhecem”, lamentou.
Além disso, a revista que reúne histórias sobre a Macau antiga e de hoje, redigidas em Inglês, foi também lançada ontem. O evento inclui uma série de actividades até ao dia 27 subordinado ao tema “Soliloquist” – termo associado ao teatro que significa falar por si próprio.
Além de palestras, a iniciativa promove a pintura como forma de expressão artística. Considerando que, “numa era em que dominam as redes sociais será muito difícil ser-se honesto”, a organização pretende promover esta série de actividades para os participantes se descobrirem a si próprios.
Na cerimónia de abertura, o director da Faculdade de Ciências Sociais da UM, Hao Yufan, classificou o tema “inovador” sobretudo quando na nova era, os jovens precisam de conhecer mais a imprensa e o modo como funciona. “Os estudantes têm ideias muitos específicas e são únicas em relação às dos professores”, elogiou.



