Comissariado “convocou” a chefe do Gabinete da UE
Comissariado “convocou” a chefe do Gabinete da UE

A classificação de Macau como uma das jurisdições não cooperantes em matéria de evasão fiscal foi considerada parcial e unilateral pelo Comissariado de Negócios Estrangeiros da China em Macau. Num encontro com a chefe do Gabinete da UE para Hong Kong e Macau, o comissário Ye Dabo também criticou comentários incluídos no relatório anual da União Europeia, afirmando que são “absurdos”

 

Viviana Chan

 

O Comissariado dos Negócios Estrangeiros da China na RAEM acusou a União Europeia (UE) de “parcialidade e unilateralidade” por ter decidido incluir Macau na “lista negra” de paraísos ficais. Para além disso, criticou o facto de terem sido feitas menções a assuntos internos de Macau no relatório emitido pela UE recentemente.

O encontro entre a chefe do Gabinete da UE para Hong Kong e Macau e o Comissariado dos Negócios Estrangeiros da China foi solicitado pelo organismo do Governo Central em Macau com o intuito de discutir ambos os temas. De acordo com o comunicado emitido pelo Comissariado, no encontro com Carmen Cano de Lasala, Ye Dabo apelou ainda à União Europeia para não tecer comentários “absurdos” sobre assuntos internos de Macau.

O Comissário destacou que a classificação da RAEM como uma das jurisdições não cooperantes em matéria de evasão fiscal “não corresponde à verdade”.

Para além disso, lamentou o facto do relatório anual da UE sobre Macau ter “ignorado os frutos do desenvolvimento económico da RAEM e os trabalhos desenvolvidos nas áreas da luta contra o tráfico humano, protecção dos direitos humanos e combate à droga”. Ye Dabo salientou que “isso não só causou desagrado na população de Macau, como (o trabalho desenvolvido) passa despercebido aos residentes europeus”.

O comissário chinês frisou que o Governo Central defende a concretização da política “Um País, Dois Sistemas” em Macau e, ao mesmo tempo, assume responsabilidades na defesa da soberania do país.

“Espero que as instituições estrangeiras nas RAE e os cônsules-gerais em Macau respeitem os hábitos internacionais, as leis nacionais e de Macau, incluindo a componente de não interferência em assuntos internos e não exercício de actividades não correspondentes às funções”, disse.

Ye Dabo também expressou o desejo de que os cônsules-gerais da União Europeia em Macau trabalhem mais em prol do fortalecimento das relações entre a China e Bruxelas. Sobre essa matéria, aproveitou para recordar que a UE é o maior parceiro de negócios da China, enquanto a China é segundo maior parceiro comercial da UE. Nesse contexto, Pequim acredita que poderão ser criadas novas oportunidades de desenvolvimento paras ambas as partes sobretudo após o 19º Congresso do Partido Comunista da China.

Apesar das fortes advertências, Ye Dabo não deixou de elogiar o contributo dado por Carmen Cano de Lasala para a promoção das relação entre a China e os países da União Europeia.