O número de casos de cobrança de tarifas demasiado elevadas por parte dos taxistas quase duplicou nos primeiros nove meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016, indicam dados das autoridades policiais. A sobrecarga de mercadorias e transporte de objectos sem medidas de segurança sofreu também uma subida significativa, sobretudo no caso dos motociclos

 

Inês Almeida

 

As mais recentes estatísticas do trânsito reflectem aumentos expressivos em alguns parâmetros, nomeadamente nas irregularidades cometidas por taxistas. Segundo dados publicados no site do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), entre Janeiro e Setembro deste ano contabilizaram-se 2.165 casos de cobrança abusiva, o que corresponde a um aumento de 91,59% em relação aos primeiros nove meses de 2016, quando foram detectadas 1.130 situações deste género. O número destas irregularidades já ultrapassa o valor total registado em 2016, 1.713.

Já os casos de recusa de transporte sofreram uma quebra ligeira, de 3,86%, para 1.045. Outros tipos de irregularidades caíram de 821, nos primeiros nove meses do ano passado, para 571 em 2017, o que corresponde a uma descida de 30,45%.

Por outro lado, sem fazer comparações anuais, o CPSP indicou ontem que no mês passado registaram-se 406 casos de cobrança abusiva, representando 65% do total de infracções. Os dados relativos a Outubro incluem ainda 165 casos de recusa de transporte e 50 de outros tipos de irregularidades. Em Outubro, as autoridades detectaram ainda 30 casos de táxis sem matrícula.

Nos primeiros nove meses, as subidas percentuais expressivas também se fizeram sentir ao nível da sobrecarga de mercadorias ou transporte de mercadorias sem medidas de segurança em automóveis em motociclos e no transporte ilegal de matérias perigosas. De acordo com as informações do CPSP, até Setembro, foram detectados 205 motociclos em sobrecarga ou transporte de mercadorias sem medidas de segurança, número que mais do que triplicou face ao mesmo período de 2016. No cômputo geral de 2016, contaram-se apenas 76 casos.

No caso dos automóveis, o aumento é menos expressivo: de 52,33% para 262.

Nos primeiros nove meses de 2017 foram ainda detectadas seis situações de transporte ilegal de mercadorias, contra duas no período homólogo de 2016. No cômputo geral do ano passado contaram-se apenas quatro casos.

Apesar destes indicadores que apresentam valores problemáticos, a maioria dos dados divulgados pelo CPSP mostram uma tendência de quebra ao nível das infracções.

Além disso, o número de mortes em acidentes de viação caiu 25%, de oito para seis. Embora os feridos (3.541) tenham crescido ligeiramente, 6,08%, o número de pessoas a necessitar de internamento hospitalar caiu 61,99%, de 171 para 65.

O estacionamento ilegal segue a mesma tendência, registando uma quebra de 29,27% no que respeita ao estacionamento indevido nas vias públicas, e de 11,53% nos lugares tarifados ou com parquímetros.

O número de casos de bloqueamento de veículos nas vias públicas também caiu 30%, de 1.972 para 1.379. Pelo contrário, as situações de bloqueamento de veículos em lugares de estacionamento tarifados/com parquímetros cresceu 47,27%, de 6.545 para 9.639.

O uso do telemóvel durante a condução, uma questão que tem preocupado as autoridades recentemente, manteve-se em 179 situações, no caso dos motociclos, mas cresceu de 2.138 para 2.589 no campo dos automóveis.

Por outro lado, o volume de casos de excesso de velocidade caiu tanto nas vias públicas como nas três pontes que ligam a Península de Macau à Taipa. O decréscimo mais acentuado deu-se na Ponte da Amizade, 87,59%.