Os bispos de Macau e Hong Kong foram recebidos pelo Papa Francisco no âmbito da visita “ad limina” – a primeira em 10 anos. As relações entre o Vaticano e Pequim foram tópicos abordados durante o encontro com o secretário de Estado Pietro Parolin, tendo ficado assente que as duas partes devem continuar a promover o diálogo com vista ao restabelecimento de laços

 

Passaram 10 anos desde a última visita “ad limina” das duas regiões administrativas especiais – uma obrigação dos bispos diocesanos de se encontrarem com o Papa e visitar os túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo, normalmente a cada cinco anos.

No sábado, no reencontro em Roma, Stephen Lee Bun-sang e monsenhor Michael Yeung Ming-cheung encontraram-se também com o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin com quem foi abordada a relação com a China apesar de haver desentendimento sobre alguns tópicos. “Sobre a China, a posição do Vaticano é muito clara”, disse o Bispo de Hong Kong à “Asia News Agency”. “O Vaticano não quer irritar ninguém, e também não quer dar nenhum passo errado [para a Igreja] mas, ao mesmo tempo, também tem de fazer algo de bom para a Igreja e para a sociedade chinesa”, acrescentou Michael Yeung Ming-cheung.

Uma relação que o Bispo de Hong Kong abordou tomando como exemplo o diálogo comercial (e a guerra) entre os Estados Unidos e a China. “A questão religiosa é em parte semelhante aos assuntos comerciais. Os Estados Unidos e a China concordam nalgumas matérias, discordam sobre outras mas continuam a falar. É o mesmo connosco: precisamos de continuar a dialogar”, vincou, acrescentando que “as relações diplomáticas não se (r)estabelecem do dia para a noite”. “Temos todos de ter paciência”, reconheceu.

Em suma, disse Michael Yeung Ming-cheung, o Papa Francisco “quer que rezemos por ele, pela Igreja na China e por todos aqueles que sacrificaram as suas vidas pela fé do País”.

Numa recente entrevista à agência Reuters, o Papa Francisco reconheceu que as iniciativas desenvolvidas no sentido de aproximação à China estão num “bom momento”. Pequim e a Santa Sé não têm relações diplomáticas há quase 70 anos, sendo que um dos principais obstáculos reside no conflito sobre a nomeação de bispos.

O Bispo de Hong Kong aproveitou ainda o encontro com o Papa para dar conta da sua intenção de se aposentar. Aos 73 anos, o cardeal quer dedicar-se a apoiar a Caritas da RAEHK. “O Papa foi muito querido e compreensivo”, disse a propósito.

A última visita “ad limina” dos bispos dos dois territórios tinha sido realizada há 10 anos, numa altura em que as duas dioceses eram lideradas pelo cardeal Joseph Zen, de Hong Kong, e José Lai de Macau. Uma outra visita “ad limina” esteve para acontecer, em 2013, mas acabou por ser adiada por dificuldades com a agenda após a resignação do Papa Bento XVI.

 

C.A.