A ênfase posta por Xi Jinping na adopção de medidas ambientais como a aposta nas energias renováveis e construção de uma civilização ecológica para dar resposta às pressões do consumo de recursos trouxe a sua dose própria de pressão ao MIECF para que Macau siga um caminho idêntico
Salomé Fernandes
A China está a apostar na protecção ambiental e quer que Macau siga as pisadas. “O desenvolvimento de Macau está intimamente ligado ao desenvolvimento da China. O Governo Central tem prestado grande apoio a Macau na integração do desenvolvimento global do país”, disse Ren Xianguang, vice-director geral do departamento de recursos de conservação e protecção ambiental da China.
“Desde o retorno à pátria, Macau registou grandes progressos em várias vertentes. O PIB aumentou de 51,87 mil milhões de patacas para 404,2 mil milhões de patacas tornando-se uma das cidades mais prósperas do mundo e expandindo suas trocas comerciais”, comentou Ren, orador na cerimónia de abertura do Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau (MIECF, na sigla inglesa).
Para Ren Xianguang, o plano estratégico definido no congresso do Partido Comunista Chinês para construir uma sociedade moderada, abastecida, e iniciar um novo caminho para a construção de um país socialista e organizado proporcionou “grandes oportunidades e espaço para o desenvolvimento de Macau”.
Face às pressões que a China enfrenta sobre o consumo de recursos do meio ambiente, a construção de zonas urbanas verdes torna-se necessária para permitir melhor qualidade de vida à população. Nesse sentido, Ren Xianguang acredita que as cidades sustentáveis e a criação de harmonia entre as pessoas e a natureza passam por desafios como a produção de energia limpa, tratamento da poluição atmosférica, aposta na reciclagem paralelamente a sistemas de monitorização sobre consumo de energia, novos projectos na protecção do ecossistema e biodiversidade, para além da promoção de zonas piloto de civilização ecológica.
O Chefe do Executivo da RAEM mostrou estar em linha com essa abordagem. “O conceito de uma ‘civilização ecológica’ mencionado na nossa Constituição Nacional é da maior importância. Sob o tema ‘eco-cidades para uma economia verde inclusiva’, a MIECF 2018 realça não apenas as estratégias verdes, circulares e de redução de carbono, como também a importância da expansão das civilizações económicas”, frisou.
Para ajudar a cumprir estes conceitos, Chui Sai On recordou que o plano quinquenal do desenvolvimento da RAEM prevê a construção de uma cidade com equilíbrio entre o desenvolvimento urbano e o meio ambiente. Nesse contexto, afirmou ainda que Macau vai apoiar activamente as empresas verdes do Delta do Rio das Pérolas na captação de investimento estrangeiro.
Gao Yunhu, director do departamento de conservação energética do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, focou-se no plano quinquenal para o desenvolvimento das indústrias verdes desenvolvido para a China e na existência de 46 parques industriais ecológicos.
O director partiu da necessidade de apostar nas tecnologias susceptíveis de diminuir consumo dos recursos e aumento da eficiência no seu uso, veículos movidos a energia limpa, e painéis fotovoltaicos aplicados a locais industriais, para reforçar que o plano do país inclui apoio a Macau enquanto plataforma entre a China e os países lusófonos nos assuntos económicos e comerciais. “Queremos em conjunto com Macau e outros países reforçar o intercâmbio das tecnologias e indústrias verdes para promover o desenvolvimento económico”.
Um futuro em tons verdes
Cerca de “60% das infra-estruturas de que vamos precisar [face ao crescimento das cidades] ainda estão por construir”, frisou Christiana Figueres, vice-presidente da “Global Covenant of Mayors for Climate and Energy” e antiga secretária executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. O crescimento das cidades será particularmente visível na Ásia, destacando a líder que o caminho que esta zona do mundo seguir influenciará todo o globo.
“E vamos ter mais mega cidades como no Grande Delta do Rio das Pérolas. (…) Não acredito que já haja uma definição consensual do que é uma eco-cidade, mas sabemos que representam a maior oportunidade deste século”, comentou. A oportunidade de preparar as infra-estruturas que serão necessárias vai enfrentar os seus desafios, ressalvou Christiana Figueres. Será necessário no futuro criar cidades compactas, limpas e humanizadas. “A nova revolução industrial não pode sacrificar o ambiente ou a humanidade. Deve focar-se no verdadeiro sentido da vida”, apontou.
Algumas das soluções que apresentou focaram-se na mudança da exploração do carvão para as energias renováveis, a produção vertical de alimentos nas cidades, priorizar andar, depois o uso de bicicletas e por fim transportes públicos. Neste âmbito, deu como exemplo o programa de reciclagem de comida desenvolvido pelo aeroporto de Macau. A conexão deve fazer-se não apenas com a tecnologia mas também com o meio ambiente e as próprias pessoas.
“As cidades têm de ser inclusivas, promover o emprego, a educação e ser construídas sob a orientação de comunidades. Temos uma pandemia de solidão, perdemos o sentido da vida para além do trabalho e as cidades contribuem muito para isso. Precisamos de arquitectura empática”, avisou.
Fundo de Cooperação com retorno garantido
O fundo de desenvolvimento para a cooperação Guangdong-Macau, com um investimento de 20 mil milhões de renminbis, vai ter uma taxa de retorno garantido de 3,5% por ano, revelou ontem o Secretário para a Economia e Finanças. Além disso, incluirá um mecanismo de partilha de benefícios, sendo que, caso se verifique no prazo de sete anos que o retorno anual supera os 7,8%, 55% dessa parte entra nos cofres de Macau (excluindo verbas para preparação contra riscos). Segundo Lionel Leong, os retornos do fundo vão entrar na reserva financeira e o respectivo acordo será assinado ainda este mês. O fundo vai durar 12 anos e será usado principalmente para investir em projectos de infra-estruturas de Guangdong. Lionel Leong entende que o Fundo vai ajudar a RAEM integrar melhor a construção da Grande Baía.



