Chui Sai On garantiu ontem que Macau vai partilhar com Taiwan a sua história de “sucesso” na aplicação do princípio “Um País, Dois Sistemas”, mostrando-se confiante na adopção do mesmo modelo na Formosa. Nesse sentido, quer reforçar as visitas mútuas com Taiwan, “em prol da concretização da reunificação pacífica da Pátria”. Já, o director do Gabinete de Ligação salientou que a RAEM deve aproveitar o seu 20º aniversário para convidar mais jovens de Taiwan a visitar o território, para conhecerem “in loco” as mudanças registadas após a transferência de soberania
Rima Cui
O Conselho Regional de Macau para a Promoção da Reunificação Pacífica da China organizou ontem à tarde um colóquio, na Torre de Macau, cujo tema se centrou no 40º aniversário de uma mensagem enviada a Taipé, em 1979, na qual Pequim reivindicou a reunificação e o fim do confronto militar. No colóquio, o Chefe do Executivo sublinhou que a mensagem constitui a base das relações entre os dois lados do Estreito de Taiwan, abrindo uma “nova página” na reunificação pacífica de Taiwan com a China Continental.
“Face à nova situação e desafio, a cidade tem de cumprir o desejo do Presidente Xi Jinping”, no sentido de “Macau dar o seu contributo para o incentivo ao desenvolvimento pacífico das relações entre os dois lados do Estreito, no caminho para a reunificação pacífica da Pátria”, disse.
“O sucesso da implementação do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ em Macau demonstra que esta é a melhor solução para a questão de Taiwan”, defendeu Chui Sai On.
Nesse sentido, o Chefe do Executivo garantiu que a RAEM irá partilhar activamente com Taiwan os resultados do princípio “Um País, Dois Sistemas”, para que este seja devidamente reconhecido pelos “compatriotas” taiwaneses.
“A RAEM orgulha-se de ‘Um País, Dois Sistemas’ e tem uma enorme confiança na proposta de aplicação dos ‘dois sistemas’ em Taiwan”, realçou o governante.
Além disso, indicou que os êxitos atingidos depois da transferência de soberania mostram que o princípio idealizado por Deng Xiaoping não só garante que Macau tenha um país poderoso como suporte e apoio, como ainda assegura que beneficie dos “dois sistemas”, mantendo um elevado grau de autonomia e vantagens regionais.
Chui Sai On indicou que haverá “uma tentativa de reforço de visitas mútuas, promovendo-se, entre os compatriotas de Taiwan, a grande mudança de Macau desde o regresso à Pátria”.
“Tomando por orientação as políticas do Governo Central para Taiwan”, a RAEM continuará a desempenhar o seu papel de ponte e a fazer o intercâmbio entre os dois lados do Estreito, em diversas áreas, nomeadamente comércio, educação e turismo, acrescentou.
Pequim quer RAEM activa no intercâmbio com Taipé
Na mesma ocasião, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM sublinhou que o Presidente Xi Jinping reiterou uma posição de tolerância zero em relação à defesa da independência de Taiwan e de separação do país. Além disso, mostrou a firme determinação e forte confiança na salvaguarda da soberania do país e da integridade territorial, demarcando uma linha vermelha que os poderes pró-independência de Taiwan não podem ultrapassar.
Fu Ziying espera que a RAEM “desenvolva intercâmbios entre a sociedade civil de Macau e de Taiwan de forma activa e segura, aproveitando o 20º aniversário da transferência de soberania para convidar mais compatriotas de Taiwan, especialmente jovens, a visitarem e participarem em intercâmbios, para que sintam de perto a nova atmosfera e as mudanças no território depois de 1999.
O director do Gabinete de Ligação realçou ainda a necessidade da RAEM seguir as exigências de Xi Jinping e promover o desenvolvimento pacífico das relações no Estreito, contribuindo para a promoção da reunificação pacífica.
Por seu lado, Edmund Ho, vice-presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, afirmou que os “compatriotas” da RAEM têm apoiado sempre com firmeza a causa da reunificação e combatendo as actividades pró-independência de Taiwan.
“Macau tornou-se numa região importante onde os cidadãos ultramarinos de origem chinesa desenvolvem movimentos contra o separatismo e a favor da unificação. Além disso, Macau também é uma plataforma e janela importante onde os compatriotas de Taiwan podem conhecer a teoria e a prática de ‘Um País, Dois Sistemas’”, destacou.
Edmund Ho também espera que as pessoas de Macau possam, com recurso a diversos canais, transmitir aos taiwaneses o significado da reunificação do país e do discurso do Presidente chinês.
Este colóquio foi promovido poucos dias depois de Xi Jinping ter endurecido o discurso relativamente a Taipé, ao advertir que Pequim tomará “todas as medidas necessárias”, não renunciando sequer ao uso da força militar como opção, contra as “forças externas” que interfiram na reunificação pacífica e promovam as actividades separatistas de Taiwan. “A independência de Taiwan levará apenas a um beco sem saída”, avisou, assegurando que “a China deve ser reunificada e será”.
Tsai Ing-wen, Presidente de Taiwan, considerou as palavras de Xi como um ataque à democracia e à liberdade de Taiwan e apelou ao apoio da comunidade internacional.



