O Chefe do Executivo expressou, em nome do Governo, “o mais profundo pesar” pelo falecimento de Zhu Rongji. Sam Hou Fai disse que o antigo primeiro-ministro chinês foi um “excepcional líder do Estado”, tendo contribuído de forma significativa para a reforma, a abertura e a construção da modernização do País
Vítor Rebelo
Em nome do Governo, o Chefe do Executivo manifestou o mais profundo pesar pelo falecimento de Zhu Rongji, e endereçou as mais sentidas condolências à sua família. Sam Hou Fai sublinhou que o antigo primeiro-ministro chinês foi um “excepcional líder do Estado”, tendo contribuído de forma significativa para a reforma, a abertura e a construção da modernização do País.
Relembrou que, em 20 de Dezembro de 1999, Zhu Rongji assistiu à Cerimónia de Transferência de Poderes Políticos de Macau, realizada pelos governos da China e de Portugal, e testemunhou posteriormente o juramento e a tomada de posse do primeiro Chefe do Executivo e dos titulares dos principais cargos na cerimónia do estabelecimento da RAEM, “o que representa uma memória partilhada e eterna para todos os compatriotas de Macau”, salientou, num comunicado emitido pelo Gabinete de Comunicação Social.
Sam Hou Fai destacou ainda que Zhu Rongji demonstrou sempre a sua atenção e apoio incondicional ao desenvolvimento do princípio “um país, dois sistemas” e da RAEM, acrescentando que, “apesar do seu falecimento, a dedicação e apoio para com Macau, os seus contributos ao País e ao povo irão manter-se perpetuamente na memória de todos”.
O antigo primeiro-ministro, considerado um dos artífices do crescimento económico da China, morreu na quarta-feira, em Pequim, aos 97 anos, devido a uma doença, segundo notícia divulgada pela agência Xinhua.
Como vice-primeiro-ministro de 1993 a 2003 e primeiro-ministro de 1998 a 2003, Zhu foi o principal responsável pelas reformas económicas durante alguns dos anos cruciais na transformação da China de uma economia planificada para uma economia de mercado socialista, um feito que não teria sido possível sem a coragem das suas convicções.
Numa altura em que a reforma e a abertura, iniciadas em 1978, pareciam ter estagnado, particularmente após a repressão da Praça Tiananmen em 1989, impulsionou-as através de medidas como a reestruturação das empresas estatais e do sistema fiscal do país, para além de ter levado a China a aderir à Organização Mundial do Comércio. Embora as suas políticas tenham sido amplamente bem-sucedidas, também causaram dificuldades a alguns segmentos da sociedade e tiveram consequências adversas não intencionais posteriormente, tornando o seu legado controverso.
Zhu Rongji, conhecido pela sua franqueza e capacidade de concretizar projectos, não pode ser criticado por timidez: adoptou, sem hesitações, medidas duras e abrangentes que acreditava serem necessárias para o progresso da China, mesmo sabendo que seriam impopulares. Como afirmou numa conferência de imprensa ao tornar-se o quinto primeiro-ministro da China, em 1998: “Seja um campo minado ou um abismo à minha frente, seguirei em frente sem hesitação e servirei com toda a minha energia até ao meu último suspiro.”



