Silvestre Lacerda acompanhou o Ministro da Cultura na abertura da exposição
Silvestre Lacerda acompanhou o Ministro da Cultura na abertura da exposição

O Arquivo da Torre do Tombo pretende participar nas comemorações dos 40 anos das relações diplomáticas entre Portugal e a China levando a Pequim pelo menos “uma parte significativa” da exposição “Chapas Sínicas – Histórias de Macau na Torre do Tombo”. Silvestre Lacerda destaca a importância de documentos que dão a conhecer “o quotidiano das relações” entre vários povos

 

A exposição “Chapas Sínicas – Histórias de Macau na Torre do Tombo”, composta por 3.600 documentos, incluindo mais de 1.500 ofícios redigidos em língua chinesa, cinco livros de cópias traduzidas para Português de cartas mantidas pelo antigo Leal Senado e quatro volumes de documentos diversos. Na cerimónia de abertura, na sexta-feira, o director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo enalteceu a iniciativa. “Não poderíamos ter outro sítio e outra exposição tão fantástica como esta, quer do ponto de vista gráfico, visual, que tenha esta característica de os desenhos e todos os caracteres chineses”, frisou Silvestre Lacerda, destacando que estes documentos “em princípio seriam só do domínio administrativo”.

Porém, foi possível “encontrar uma beleza gráfica muito significativa através dos carimbos, das tintas, da forma como elas são apresentadas”. “Tem ainda uma característica gráfica também interessante que é alguns timbres com desenhos nas próprias Chapas Sínicas e que estão aqui devidamente realçados”.

A exposição estará patente no território até 21 de Agosto no Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania e no Arquivo de Macau entre o dia 21 de Agosto e 7 de Dezembro. No próximo ano, os documentos podem chegar a Pequim. Silvestre Lacerda garante que o Arquivo Nacional da Torre do Tombo pretende envolver-se nas comemorações dos 40 anos das relações diplomáticas entre Portugal e a China.

“Vamos estar envolvidos [nas comemorações]. Estamos a tentar encontrar maneira de mostrar uma parte significativa, senão a totalidade desta exposição em Pequim. Ainda estamos em conversações com as várias autoridades para se ver a forma de apresentação. A ideia é levar as Chapas Sínicas a Pequim. Estamos a encontrar a melhor forma de o poder fazer”, garantiu em declarações à TRIBUNA DE MACAU.

Tendo em conta que, em 2016, as Chapas Sínicas passaram a integrar o Programa Memória do Mundo da UNESCO, “Macau passou a ter dois indicadores importantes do Património Mundial”, sublinhou Silvestre Lacerda. Além do Centro Histórico, classificado pela UNESCO em 2005, conta agora com as “Chapas Sínicas que, primeiro, foram reconhecidas no âmbito geográfico da Ásia-Pacífico e depois pela sua importância em termos internacionais”.

Nestes documentos “temos o quotidiano das relações entre os portugueses e as autoridades chinesas ou outros povos que aqui aportaram como suecos, russos, americanos, ingleses, holandeses ou franceses”. Ali estão patentes “contratos de trabalho, organização do bazar, tensão na administração da justiça pela aplicação de uma justiça mais ampla do que aquela que era realizada pelas várias autoridades, temos relacionamento institucional, descrições fantásticas de Macau a propósito da visita dos administradores de todo este território que fazem uma visita a Macau e vão descrevendo o estado em que se encontrava desde o século XVII até aos finais do século XIX”, explicou o director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Nesse sentido, representam não apenas “diplomacia, mas também quotidiano”. “É importante estar no registo de memória do mundo para que os povos se conheçam melhor e para que o conhecimento seja um factor de cooperação. O objectivo do registo da memória do mundo é dar a conhecer aos diferentes povos as culturas, para que o entendimento e conhecimento seja a base do seu relacionamento e não só as relações comerciais ou bélicas”. Assim, a cultura pode assumir “este papel de distensão das tensões que muitas vezes existem nas sociedades humanas”, defendeu o mesmo responsável.

Além da exposição das Chapas Sínicas, Silvestre Lacerda acredita que “o mais importante foi o trabalho de digitalização”. “Ou seja, estas Chapas Sínicas estão disponíveis para todo o mundo, com boa resolução e podem ser descarregadas gratuitamente e utilizadas. É o contributo de Portugal para o conhecimento não só da história de Macau, mas do mundo”, destacou.

 

I.A.