A colecção “Chapas Sínicas”, que compreende 3.600 documentos de história sobre a relação entre Portugal e Macau foi inscrita no Registo da Memória do Mundo da UNESCO. Para assinalar este marco, Macau e Portugal estão a organizar uma série de eventos a começar no território já no próximo ano
Catarina Almeida*
A colecção “Chapas Sínicas” foi inscrita, com sucesso, no Registo da Memória do Mundo a nível internacional, anunciou o Gabinete do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Esta candidatura foi submetida em conjunto, pela primeira vez, pelo Arquivo de Macau e o Arquivo da Torre do Tombo de Portugal.
Para assinalar este feito, os dois Arquivos irão organizar uma série de exposições dos documentos em Macau (2018) e em Lisboa, em 2019, estando ainda prevista a emissão de selos comemorativos, na RAEM e em Portugal. “Estes desideratos servem para divulgar e sensibilizar as pessoas relativamente à importância histórica dos arquivos e documentação de Macau, e estão em sintonia com os objectivos do Governo da RAEM de transformar Macau numa ‘Cidade da Cultura’, promovendo e reforçando o intercâmbio cultural entre a China e Portugal”.
Licença de navegação do mandarim da alfândega de Cantão, Li, ao mercador e armador João Botelho, para ir a Luzon tratar de comércio (1758)
As “Chapas Sínicas” compreendem um total de 3.600 documentos, incluindo mais de 1.500 ofícios redigidos em língua chinesa, cinco livros de cópias traduzidos para Português das cartas mantidas pelo Leal Senado e ainda quatro volumes de documentos diversos. Toda a documentação refere-se à Dinastia Qing que ficou conservada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
A sua designação foi entretanto alterada para “Registos Oficiais de Macau durante a Dinastia Qing (1693-1886)” para efeitos de apresentação da candidatura à inscrição no Registo da Memória do Mundo. A colecção foi levada para Portugal no século XIX, sendo posteriormente transferida para a custódia do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
A maior parte da colecção é composta por correspondência oficial trocada entre os subprefeitos de Macau, magistrados de Xiangshan e outros funcionários chineses e os procuradores do Leal Senado, durante o exercício da soberania chinesa sobre o território. Há também documentos como contas, cartas, actos, contratos e outros associados às condições sociais, vida quotidiana, desenvolvimento urbano e comércio.
Recibo do magistrado substituto do distrito de Xiangshan, Yang, ao procurador de Macau, sobre o pagamento do foro do chão do território, no ano 40 do reinado do Qianlong (1776)
Além disso, as “Chapas Sínicas” comportam a correspondência oficial entre as autoridades chinesas e portuguesas sob as circunstâncias especiais da coabitação dos portugueses em Macau. Em 2015, foi celebrado um Memorando de Entendimento entre os dois Governos que facilitou a elaboração do processo de candidatura das “Chapas Sínicas”. No ano passado, foi inscrita com sucesso no Registo da Memória do Mundo para a Ásia-Pacífico a nível regional.
Além das “Chapas Sínicas”, o Comité Consultivo Internacional da UNESCO anunciou ter recomendado a inscrição de 78 novas nomeações no registo da Memória do Mundo, incluindo três portuguesas.
Assim, Portugal vê o seu nome na inscrição de mais dois novos bens patrimoniais: os livros de vistos concedidos pelo cônsul português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes (1939-1940), e o “Codex Calixtinus da Catedral de Santiago de Compostela e outras cópias medievais do Liber Sancti Jacobi”, partilhada com Espanha.
Com as novas inclusões, o registo da Memória do Mundo passa a contar com 427 documentos, de todos os continentes, tendo já salvaguardado vários materiais de pedra, celuloide, pergaminho e gravações sonoras. Para este ciclo de nomeações foram apresentadas 130 candidaturas.
* com Lusa



