Depois dos conflitos no New Century terem surgido no ano passado, 155 trabalhadores ainda continuam com os salários em atraso. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais adiantou ao JTM ter detectado irregularidades no pagamento dos vencimentos, já que a entidade patronal não cumpriu os prazos estabelecidos pela lei. Um cartaz colocado recentemente voltou a reacender a polémica

 

Viviana Chan

 

A polémica que foi despoletada no ano passado está longe de ser resolvida. A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) acumulava até anteontem 70 queixas de 232 trabalhadores contra os responsáveis pelo hotel-casino “New Century”, na Taipa, por falta de pagamento de salários.

Das reclamações que chegaram àquela entidade desde o ano passado, conseguiram ser resolvidos 51 casos que envolviam 77 trabalhadores, enquanto o processo de 155 funcionários ainda continua a ser acompanhado. Ou seja continuam sem resposta 19 queixas.

Segundo a DSAL, quanto a esta situação, “a entidade patronal nunca seguiu a lei no âmbito do pagamento das remunerações aos trabalhadores dentro do prazo estabelecido (nove dias)”, por isso o organismo garante que continuará a acompanhar o caso.

Recentemente, foi colocado um cartaz junto à entrada do hotel “New Century” com um novo protesto contra a falta de pagamento dos salários. No placar, os autores exortavam os patrões a liquidar os vencimentos que alegadamente devidos, salientando que esta situação iria afectar a imagem de Macau como centro mundial de turismo e lazer.

Mas enquanto 155 funcionários continuam com salários em atraso, há outros que parecem não terem razões de queixa. Segundo disse ao JTM um trabalhador do “New-Century”, que pediu para não ser identificado por não ter autorização para falar com a imprensa, os vencimentos estão a ser pagos regularmente, pelo menos aos actuais trabalhadores. O mesmo disse desconhecer quem terá colocado o cartaz nas instalações do hotel. O JTM contactou ainda um ex-trabalhador do “New Century”, que também confirmou já ter recebido o seu salário em atraso.

Recorde-se que, em Novembro do ano passado, a DSAL já tinha recebido queixas de 205 trabalhadores por falta de pagamento. Na altura, um funcionário do hotel-casino disse ao JTM que cerca de duas centenas já se tinham demitido por causa do atraso no pagamento dos vencimentos. Registou-se então uma perda de cerca de 20 por cento dos trabalhadores. Os responsáveis do complexo consideraram, porém, que esta quebra não iria afectar o funcionamento do hotel-casino.

Em Junho do ano passado, o empresário Ng Wai, também conhecido por Kai Sze Wai, de 65 anos, foi atacado durante um jantar no seu próprio hotel. O promotor de jogo foi agredido por cinco homens desconhecidos enquanto estava a jantar com uma mulher. Kai Sze Wai teve de ser hospitalizado depois de ter fracturado alguns ossos.

Após os incidentes, os serviços do hotel acabaram mesmo por ser suspensos por causa de um conflito entre os accionistas. O “New Century” anunciou então, no início de Julho, que não estava disponível para receber hóspedes temporariamente, tendo os funcionários impedido os clientes de entrar no hotel mesmo depois de feita a reserva.

Alguns dos accionistas realizaram depois uma conferência de imprensa durante a qual assumiram que havia divergências entre os detentores do hotel. A porta-voz de Kai Sze Wai, Lei Soi Peng, revelou que o ataque físico ao empresário Kai Sze Wai foi uma das maiores causas para desencadear a disputa.

O empresário chegou ainda a publicar um anúncio no jornal “Ou Mun” a dizer que iria recompensar as pessoas que ajudassem a polícia a avançar com a investigação, para decifrar quem esteve por trás do seu ataque. A recompensa chegava aos 10 milhões.