O Instituto de Formação Turística vai criar o centro de gastronomia no campus da Taipa. A presidente da instituição prevê que demore entre quatro a cinco anos a estar completo, e quer cooperar com os Serviços de Turismo no âmbito da tradição da gastronómica macaense

 

Salomé Fernandes

 

Depois da entrada de Macau na rede de Cidades Criativas da UNESCO, torna-se essencial a criação de um centro gastronómico, frisou ontem Fanny Wong, presidente do Instituto de Formação Turística (IFT). Uma iniciativa que o IFT vai desenvolver ao longo dos próximos anos. “Agora temos o espaço no campus da Taipa. Mas o problema é que para construir um edifício temos de passar por diferentes procedimentos e candidaturas a diferentes gabinetes governamentais, com muito design envolvido. Por isso, realisticamente falando vamos demorar quatro a cinco anos para criar o centro”, disse, à margem do Dia Aberto da instituição.

“Para este nome [Cidade Criativa] ter substância é importante para Macau ter um grupo de talentos preparado nesta área. O IFT tem treinado profissionais no ramo da culinária, mas precisa de ser feito mais”, comentou.

O futuro do centro vai passar por diferentes funções. “Para além de oferecer mais treino e programas educacionais em artes culinárias, vai desenvolver investigação em gastronomia e tradição”, explicou, exemplificando a necessidade de estudar as diferentes interpretações que se podem fazer de receitas da cozinha macaense. Uma área em que prevê a possibilidade de “colaborar com os Serviços de Turismo, porque ambicionam criar um banco de receitas de cozinha macaense”.

Para a vontade de investir neste projecto, contribuiu também o sucesso da Licenciatura em Gestão de Artes Culinárias criada em 2011, dado o volume de candidaturas ao curso. Com a nova Lei do Ensino Superior, em princípio será gestão hoteleira a ter prioridade na criação de mestrado. No entanto, “se ainda tivermos recursos, estamos a pensar lançar simultaneamente diferentes vias de especialização nesse mestrado, como arte culinária”, apontou Fanny Wong.

O Dia Aberto do IFT, que se realizou no campus de Mong-Há, permitiu a estudantes do ensino secundário e ao público em geral participarem numa série de actividades de forma a sentir “a atmosfera educacional” de forma interactiva. Mas o IFT está também a investir no recrutamento de estudantes internacionais, com as políticas governamentais em mente.

“No ano passado conseguimos trazer pela primeira vez dois estudantes do Vietname para estudarem connosco quatro anos. Vamos aprofundar esforços neste país, mas também explorar oportunidades noutros países, como a Malásia e a Índia. (…) Temos em vista recrutar estudantes dos países ligados à iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’”, explicou a presidente do IFT.

Fanny Wong reconheceu ainda a importância do mercado de Hong Kong, dado que a região vizinha “nem sempre consegue fornecer as vagas universitárias necessárias para os estudantes”.