CEM instaladas barreiras anti-inundações com altura máxima de 1,2 metros
CEM instaladas barreiras anti-inundações com altura máxima de 1,2 metros

Se um tufão de intensidade semelhante ao “Hato” voltar a passar pelo território, o impacto ao nível da distribuição energética deverá ser menor, depois da operação e da altura dos equipamentos da CEM terem sido alteradas

 

Salomé Fernandes

 

A estrutura da rede de voltagem média da CEM foi optimizada para impedir que, à semelhança do ano passado, as instalações eléctricas nas zonas baixas da cidade afectem a distribuição de energia em zonas mais altas, algo que acontecia pela ligação em cadeia entre as subestações. “Implementámos mudanças para separar as mais acima e mais abaixo, para garantir que pelo menos estas não sejam afectadas. Não é uma mudança visível por fora, tem a ver com a operação do equipamento”, disse Billy Chan, director do Transporte e Distribuição da CEM.

A empresa adoptou cerca de 80 métodos para aumentar a defesa contra inundações, que têm como referência o “Hato”, e passaram pela elevação das caixas de distribuição e portinholas instaladas nas ruas e as instalações eléctricas dentro dos postos de transformação, bem como por ampliar a capacidade da rede de energia. Para além disso, foram instaladas barreiras contra inundações com 1,2 metros, altura máxima para que a pressão da água não seja transferida para o edifício.

Equipamentos na subestação foram colocados a um nível mais alto

Realizou-se ainda a instalação de sistemas de alarme e bombas de depósito para melhorar a capacidade dos postos de transformação na resistência a inundações. Desde o tufão “Hato” já fora reparados ou substituídos 3.463 portinholas, 73 caixas de distribuição, 34 RMUs e 31 transformadores.

Para realizar este trabalho, houve por vezes 50 pessoas em funções no mesmo dia. Os custos associados aos trabalhos de substituição no decorrer do desastre não podem ser quantificados por existirem dois níveis de acção. “O primeiro é o impacto directo das cheias, dado que a água do mar não reage bem com equipamento eléctrico, e depois de inspecções detalhadas planeámos substituir esse equipamento para prevenir problemas durante o Verão. E o segundo são as reparações de emergência, logo de seguida”, explicou Billy Chan.

Já as medidas a longo prazo, explicou o responsável, implicam a cooperação do Governo. Por um lado, houve uma revisão dos padrões das instalações eléctricas em edifícios em termos de protecção contra inundações, que podem melhorar a capacidade de resistência a inundações de instalações eléctricas em novos edifícios nas zonas baixas da cidade. “Isso já está definido e vai começar a ser implementado no quarto trimestre deste ano. Se recebermos projectos nestas áreas vamos colocar os equipamentos no segundo andar”, indicou.

Por outro lado, a CEM encontra-se à procura de novos locais no Porto Interior para recolocar alguns dos postos de transformação a um nível mais elevado, uma medida com intenção dupla: resolver problemas associados a inundações e aumentar a capacidade da rede eléctrica nas zonas mais antigas da cidade. Relativamente a isto, o responsável indicou que “requer algum tempo” e “estamos a trabalhar muito com potenciais donos de espaços e também com o Governo”.

Apesar de ter aumentado a capacidade ao nível de geradores, que cobre as principais áreas residenciais, Billy Chan alertou que perante uma catástrofe natural pode ser necessário suspender o fornecimento de energia, mas espera que os trabalhos desenvolvidos minimizem o impacto de inundações no sistema e diminuam o tempo de restituição.

Mas nem tudo é motivo de alerta. “Basicamente se não houver tufão não há razão [para preocupações]”, comentou, afirmando que o tufão é a principal ameaça aos equipamentos. As cheias menores que decorrem noutros períodos não têm impacto nas estruturas de distribuição.