Em plena Semana Santa, a mais importante do calendário cristão, iniciada com o “Domingo de Ramos”, a comunidade católica de Macau prepara-se para festejar a ressurreição de Cristo. Há vários momentos importantes nas celebrações que culminarão com o Dia de Páscoa, no próximo domingo. De entre as festividades, destaque para o tríduo pascal, que começa amanhã, dia de “lava pés dos apóstolos” e instituição da eucaristia, para na sexta-feira se realizar uma pequena procissão, do “Senhor Morto”, junto à Sé Catedral. Em foco também este ano um retiro espiritual com o padre Daniel Ribeiro que, ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, salientou o crescimento da comunidade católica chinesa nos últimos anos

VÍTOR REBELO
Estamos em plena Semana Santa e Macau não é excepção nas celebrações cristãs através de diversas actividades organizadas pela Diocese do território, que irão ter o ponto alto do calendário, a missa da Páscoa, no próximo domingo, pelas 11h00, na Sé Catedral, presidida pelo bispo D. Stephen Lee.
O início da Semana Santa deu-se com o Domingo de Ramos e a partir de hoje arrancam as actividades propriamente ditas, organizadas pela Diocese de Macau. “O programa é sensivelmente igual ao do ano passado”, começou por dizer ao nosso jornal o padre Daniel Ribeiro, confirmando que se mantém a realização de uma pequena procissão, na sexta-feira, denominada de “Senhor Morto”, junto à Sé, pelas 15h00. Este é o único dia que não inclui qualquer missa.
A comunidade portuguesa concentra-se na Sé Catedral e a comunidade chinesa na Igreja de São Domingos. A comunidade lusa tem às 15h00 a via sacra e, depois, às 16h00, será a vez de sair a pequena procissão do “Senhor Morto”.
Amanhã, haverá uma celebração nas paróquias, fazendo arrancar o que se chama de tríduo pascal. Para as 18:30 está marcada uma missa na Sé Catedral, em português e chinês, onde se inclui o “lava pés” e a instituição da eucaristia. “Trata-se de uma missa muito importante, uma vez que foi quando Jesus instituiu a eucaristia e teve o lava pés dos apóstolos”, refere o pároco.
A vigília pascal acontecerá no sábado, dia em que sucede o contrário, a comunidade chinesa vai para a Sé e a comunidade portuguesa para a Igreja de São Domingos. “Trata-se de uma celebração mais longa, mas é onde já se começa a celebrar a ressurreição, porque para os judeus, quando aparece a terceira estrela no céu, já é considerado um dia novo”, descreve o sacerdote Daniel Ribeiro, acrescentando que “não há esse conceito de relógio de meia-noite como nós, portanto, no sábado à noite é considerado domingo e assim já se celebra a ressurreição”.
Essa é a missa designada por vigília pascal, agendada para as 19h00 na comunidade de São Domingos, “e aí vamos ter seis jovens que vão ser baptizados, ou melhor, cinco jovens e um bebé, entre os quais três irmãos”, observa o pároco.
Retiro espiritual
Enquanto isto, na sexta e no sábado, 29 e 30 de Março, terá lugar o retiro “Manhãs de Espiritualidade – Por suas chagas fomos curados”, na cave do Cartório da Sé, na Rua Formosa, entre as 9h30 e as 12h00, cujo orador será o padre Daniel Ribeiro. “Os católicos vão ter uma oportunidade de ter uma formação, um momento de silêncio e depois também de reflexão e de confissão comigo”, diz.
Domingo, dia 31, é a vez da tradicional celebração da Páscoa na Sé Catedral, presidida pelo Bispo de Macau, às 11h00, terminando assim as celebrações oficiais da Diocese nesta quadra pascal.
Sobre este período que assinala a ressurreição de Jesus, o padre Daniel Ribeiro deixa uma mensagem: “A Páscoa é uma resposta em que a morte, o sofrimento e a dor não têm a última palavra na nossa vida”. Páscoa significa passagem, prossegue, “que é a ressurreição de Jesus da morte para a vida e antecipa aquilo que vai acontecer com cada um de nós, que acreditamos, que temos fé e que somos cristãos, porque um dia nós também vamos ressuscitar e vamos estar com Deus, sendo esse um motivo de confiança, de alegria e, seguramente, que o exemplo de Jesus nos fortalece na nossa missão”.
Nesse sentido, “todos os que são católicos estão convidados a participar com fé e devoção nesta semana, que é a mais importante do ano”. Além de ser uma tradição, “a fé é demonstrada nessas celebrações que certamente farão bem a cada um de nós que acreditamos e somos católicos”, opina o padre.
Comunidade cristã chinesa a aumentar
Sobre o momento actual da igreja católica em Macau e no que se refere à adesão das respectivas comunidades, o sacerdote realça que “a comunidade chinesa está a crescer” e dá números que podem confirmar essa evolução: “200 baptizados são realizados anualmente nas nove paróquias de Macau, o que é um número razoável e tem aumentado bastante nos últimos cinco anos”.
Quanto à comunidade portuguesa, contando este ano na Sé Catedral e na Igreja do Carmo, registou-se o baptismo de mais de 30 crianças. “Penso que a comunidade dos fiéis portugueses não aumenta, mas também não diminui, encontrando-se estável”. Na igreja da Sé há 80 crianças inscritas na catequese, mais 10 adultos, “portanto são 90 pessoas que participam e há 15 catequistas envolvidas”, conclui o sacerdote da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos), que exerce a sua carreira católica em Macau desde 2016.



