Ao longo do ano passado contabilizaram-se 21 casos de crianças e jovens admitidos em lares do IAS por terem sido vítimas de abuso ou negligência. Este valor é o mais elevado desde 2010 e traduz uma subida de 75% em relação a 2016. A Base de Dados das Crianças mostra ainda que aumentaram os números de mortes de menores de idade e de acidentes que resultaram em ferimentos
Inês Almeida
O Instituto de Acção Social (IAS) prestou no ano passado serviços de acolhimento a 21 crianças e jovens vítimas de abuso ou que foram tratadas de forma negligente. Este número representa um aumento de 75% em relação aos 12 casos de 2016, indicam valores da Base de Dados das Crianças que a TRIBUNA DE MACAU analisou. Este é também o valor mais elevado desde 2010, o primeiro ano abrangido pelas estatísticas.
Ao todo, em 2017, o IAS tinha ao seu cuidado 230 crianças e jovens, que é também o maior número entre os incluídos nos registos e que espelha um aumento de 9% em relação aos 211 contabilizados em 2016.
As estatísticas do organismo revelam ainda que o número de acidentes que causaram ferimentos a menores de idade também cresceram 19,3% entre 2016 para 2017, contando-se no ano passado 3.406, um valor que fica apenas aquém dos 3.407 em 2013.
O volume de internamentos no Centro Hospitalar Conde de São Januário segue a mesma tendência. No ano passado, 2.676 utentes menores estiveram internados para receber tratamento hospitalar, o número mais elevado desde 2010. Isso representa um aumento de 18,72% em relação aos 2.254 registados em 2016.
Os óbitos de menores também registaram um incremento. Só em 2017, 24 crianças e jovens menores de 17 anos perderam a vida, incluindo 11 do sexo masculino e 13 do feminino. Este é o valor mais elevado desde 2011, quando se contabilizaram 34 mortes, e corresponde a uma subida de 20% em relação aos 20 óbitos de 2016.
Em termos de faixa etária, a maioria dos óbitos, 19 dos 24, deu-se até aos quatro anos de idade. Nesta categoria encontram-se 11 crianças do sexo feminino e oito do masculino. Números dos Serviços de Saúde pormenorizam: ao todo contabilizaram-se 15 falecimentos durante o primeiro ano de vida, quatro com idades entre um e quatro anos e três entre os cinco e os 14. Os mesmos dados incluem três óbitos entre os 15 e os 19 anos.
Ao nível das causas de morte, o IAS indica que quatro pessoas morreram devido a “causas externas de morbilidade e mortalidade”, três por malformações congénitas, deformidades e anomalias cromossómicas e 12 por algumas afecções originadas pelo período perinatal, que se prolonga desde as 22 semanas de gestação até à primeira semana de vida. Contam-se ainda cinco óbitos por “outras” causas. Estatísticas patentes na Base de Dados das Crianças fazem referência a quatro mortes resultantes de ferimentos em acidentes, também o número mais elevado desde 2011. Em cada um dos dois anos anteriores houve apenas um caso deste género.
Pela primeira vez desde que são efectuados registos houve também um caso de uma criança que foi morta. Recorde-se que, em Agosto do ano passado, foi encontrada uma bebé abandonada na casa-de-banho de um hotel na Zona de Nam Van. Após ter sido encaminhada para o hospital, a recém-nascida acabou por ser declarada morta.
Oito crianças repatriadas em 2017
No ano passado, oito crianças foram repatriadas, sendo que cinco tiveram de regressar à China Continental e três a países estrangeiros, mostram números do Instituto de Acção Social. Não houve qualquer caso de extradição ou expulsão. Estes valores demonstram uma descida muito pronunciada em relação a 2016 quando o número de crianças repatriadas atingiu 139, a maioria das quais (94) foi enviada para países estrangeiros. Nesse ano, 40 menores foram encaminhados para a China Continental, quatro para Hong Kong e um para Taiwan.



