Há mais pessoas a dar entrada no hospital público com gripe, tendo os Serviços de Saúde indicado que são as crianças as mais afectadas. Aumentou também o número de pessoas com doenças respiratórias a recorrer às urgências, mas o organismo afastou a poluição como potencial causa

 

Salomé Fernandes

 

As situações de gripe em Macau aumentaram significativamente na última semana, com o registo de 181 casos por cada mil adultos que recorreram às urgências, por comparação com 49 na primeira semana de Janeiro, informou ontem o director dos Serviços de Saúde (SSM), Lei Chin Ion. Os SSM apelaram à vacinação e pediram à população que evitasse ir às urgências com sintomas ligeiros.

“De acordo com os dados de monitorização hospitalar, o vírus da ‘influenza’ está muito activo, o que significa que já entrámos no auge da ocorrência da gripe”, disse Lei Chi Ion, sem excluir a possibilidade de ainda se registarem mais aumentos.

Têm sido as crianças as mais afectadas, com 213 casos em cada mil a dar entrada nas urgências pediátricas contra 154 na primeira semana do ano, mesmo quando 70% da vacinação foi destinada a creches e escolas primárias.

“Na pediatria as crianças com febres baixas não precisam de ir logo às urgências. Caso contrário têm de aguardar muito tempo para ser atendidas. Podem ficar em casa para tomar o respectivo medicamento, tomar mais água, e não precisam de vir de imediato para não serem afectadas por outras doenças”, alertou Jorge Sales Marques, responsável do Serviço de Pediatria e Neonatologia do Centro Hospitalar Conde de S. Januário.

Em relação ao tempo de espera, Lei Chin Ion confirmou que a média está mais longa, bem como aumentou a taxa de ocupação das camas do hospital, mas garantiu que a situação é “aceitável”.  “Ainda não é como nos territórios vizinhos, onde há muita falta de camas. Temos camas de reserva não utilizadas”. A esse nível, Lei Wai Seng, director substituto do hospital, disse que se verificou um aumento da taxa de ocupação de 90% para 95%. “Para dar resposta ao pico na emergência destacamos mais pessoal para cuidar dos utentes”, acrescentou.

O director substituto apelou ainda aos pacientes para não se deslocarem exclusivamente às urgências do hospital público. “Também se podem dirigir a outros hospitais para tentar diminuir o tempo que demoram a ser atendidas”, disse, acrescentando porém que há material suficiente, como máscaras e aparelhos respiratórios, para dar resposta à epidemia.

Entre a primeira e a terceira semanas de 2018 também aumentaram os casos de infecção colectiva de gripe, face ao período homólogo de 2017. Na terceira semana foram registados sete casos de gripe conjunta com pneumonia, sendo que quatro deles tinham antecedentes clínicos de doenças crónicas e seis não receberam vacina antigripal.

Os Serviços de Saúde instaram a população a vacinar-se, sendo que ainda há 10 mil doses disponíveis de entre as 120 mil vacinas adquiridas.

 

Poluição afastada como agravante

Houve também mais pessoas a dar entrada no hospital público com doenças respiratórias, atingindo uma média de 33 em cada 100 atendidas. No entanto, os Serviços de Saúde excluíram a qualidade do ar como principal factor. “Houve aumento dos casos de doenças respiratórias, mas foi devido à gripe. A qualidade do ar pode afectar mas não é predominante”, disse Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde.

Segundo Lei Chin Ion, não existe uma relação directa entre poluição atmosférica e doenças respiratórias em “pessoas normais”, sendo que pode ter impacto em utentes que já tenham problemas do foro respiratório. “Entre 100 pessoas que se encontram com situação do ar muito grave como em Pequim, não acredito que às normais possa causar um problema imediato. Podemos apelar às pessoas com mais riscos a terem mais cuidado com poluição, mas a maioria dos casos é por causa dos vírus. E em Macau a qualidade do ar é muito melhor do que em Pequim”, exemplificou.

 

Contratação externa com 30 candidatos

Os Serviços de Saúde estão a avaliar 30 currículos de médicos portugueses. O concurso de recrutamento que terminou a 31 de Dezembro atraiu candidaturas de 35 profissionais de saúde para 21 vagas destinadas a 14 especialidades no hospital público. “Recebemos 35 pedidos, mas cinco (dois enfermeiros e três médicos) não são da nossa especialidade. Estamos a avaliar 30 e 11 são das [áreas] em que temos vagas”, explicou o director substituto do hospital, Lei Wai Seng. Os casos serão depois encaminhados para avaliação nas respectivas especialidades e poderá vir a realizar-se uma entrevista via internet aos candidatos. O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura já tinha indicado, na Assembleia Legislativa, que “dezenas de médicos portugueses estão dispostos a trabalhar em Macau”.