Desde 2012 que existe promessa de um projecto para um conjunto de casas na Avenida do Coronel Mesquita. No quadro das celebrações do 20º aniversário da RAEM, a iniciativa avançará agora, com uma abertura ao público faseada. A informação foi dada à margem da tomada de posse de Chan Kai Chon como vice-presidente do Instituto Cultural, que acredita que “Macau continua a ter grandes oportunidades para o desenvolvimento cultural”
Salomé Fernandes
As casas situadas entre a Avenida do Coronel Mesquita e a Estrada de Coelho do Amaral vão ser abertas ao público ainda em 2019, de forma faseada, avançou ontem a presidente do Instituto Cultural (IC), Mok Ian Ian. O lançamento do projecto insere-se no âmbito das celebrações do 20º aniversário do estabelecimento da RAEM.
Recorde-se que a existência do plano para as casas foi divulgada em 2012, pelo então Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Cheong U. Dois anos depois, sabia-se que seriam aproveitadas não apenas para museus, mas também como espaços para espectáculos e exposições. Irão agora abrir ao público, embora seja ainda incerto como serão exploradas.
Questionado pela TRIBUNA DE MACAU, o IC esclareceu que “ainda não recebeu a 12ª moradia”. Actualmente, quatro moradias estão a ser alvo de obras de restauro, cuja conclusão está prevista para Fevereiro. Posteriormente, será desenvolvido o trabalho de restauro das restantes casas.
“Quanto ao pedido de utilização desses espaços é um dos pontos em que estamos a ponderar se será através de associações ou mesmo abrindo ao público a pessoas individuais, pelo que vamos falar bem sobre como desenvolver aquela área”, acrescentou Mok Ian Ian, à margem da cerimónia de tomada de posse do vice-presidente do Instituto Cultural, Chan Kai Chon.
A questão surgiu no seguimento de declarações de Mok Ian Ian quanto ao plano para 2019 de criar espaços para as associações realizarem as suas actividades culturais, em resposta à falta de locais que enfrentam, recordando as Linhas de Acção Governativa. “Agora com o arranjo dos recursos que temos em mãos, vamos disponibilizar 10 espaços para fazer uma série de actividades culturais, por exemplo espectáculos nas Oficinas Navais e também no Museu da Transferência de Soberania”, disse, apontando a possibilidade de ser “adjudicada” a uma empresa “a recepção dos pedidos das associações”.
Na mesma ocasião, a presidente do organismo afirmou que o Instituto Cultural não financiou o festival da Travessa do Armazém Velho. O Grupo Imobiliário Fomento, cuja proprietária é Isabel Chiang, principal suspeita de um alegado caso de burla, tem uma relação próxima com a Companhia de Grupo Ana Chiang, que serviu de intermediária na assinatura de contratos de arrendamento no âmbito do projecto cultural da Travessa do Armazém Velho.
Neste âmbito, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura disse ontem que o IC “tem a responsabilidade de responder” sobre a situação. Alexis Tam foi mais longe ainda, sugerindo ao IC realizar uma conferência de imprensa “para explicar isso”. No entanto, Mok Ian Ian deu a entender que tal não vai suceder.
Quanto ao Festival de Arte de Macau, a dirigente indicou que serão feitas exposições do Museu de Arte inseridas no evento, bem como colaborações com países lusófonos para uma exposição de arte visual. “Talvez devam dispor recursos como recintos para fazer uma exposição de arte visual, em colaboração com o Governo. Entretanto este vai ser um desenvolvimento da arte visual para melhor destacar Macau como centro mundial de turismo e lazer”, explicou.
Chan Kai Chon tomou posse como vice-presidente do IC
Cultura voltada para o futuro
“Para muitas pessoas a cultura tem uma definição diferente, mas para mim a cultura revela o passado e o presente, como também se vai encaminhar para o futuro. E também é o resultado dos trabalhos colaborativos de todos do passado para o futuro”, disse Chan Kai Chon, vice-presidente do IC, aquando da sua tomada de posse. Com a sua passagem para o IC, o Museu de Arte de Macau encontra-se agora sob a direcção interina de Dora Loi, até agora responsável pela educação artística do museu.
Chan Kai Chon alertou para a dificuldade na previsão do futuro dado a RAEM se encontrar numa fase de desenvolvimento acelerado, mas indicou que “com a base de um centro e uma plataforma de cooperação económica entre a China e os países de língua portuguesa, e também com a adesão à Grande Baía, Macau continua a ter grandes oportunidades para o desenvolvimento cultural”.
Por sua vez, Mok Ian Ian salientou o desafio levantado nas Linhas de Acção Governativa na área da cultura, atendendo ao papel de plataforma, integração na Grande Baía, mas também “com a cultura chinesa como dominante, promover a coexistência de diversas culturas”.
Investigação a Ophelia Tang concluída depois do Ano Novo
Ophelia Tang, chefe do departamento da gestão de bibliotecas públicas do Instituto Cultural (IC), está a ser alvo de um procedimento disciplinar, devido aos problemas detectados na gestão do arquivo, revelados por um relatório do Comissariado da Auditoria. Mok Ian Ian disse que o IC já contratou uma entidade independente para investigar o caso, mas como envolve muitos sítios e grande quantidade de documentos, o instrutor pediu para prolongar o prazo de investigação. A presidente do IC prevê que se saberá o resultado depois do Ano Novo Chinês.



