O organismo coordenado pelo Instituto de Acção Social que se dedica a ajudar pessoas na recuperação da dependência do jogo foi procurado por mais de 3.000 pessoas desde 2005, quando entrou em funcionamento. A maioria dos residentes que procuram este tipo de apoio têm entre 30 e 60 anos e 23% são trabalhadores da indústria do jogo
Inês Almeida
Desde 2005 até ao final do ano passado, a “Casa de Vontade Firme” do Instituto de Acção Social (IAS) ajudou 3.098 pessoas com o vício do jogo que ali procuraram aconselhamento. “De ano para ano, o número de pedidos de ajuda tem diminuído”, assegura Elaine Tang, assistente social, em declarações à TRIBUNA DE MACAU. “A maioria das pessoas tem entre 30 e 60 anos e, em média, 23% são trabalhadores do jogo. Ocupam uma parte significativa [do total de pedidos de ajuda]”.
Quando as pessoas que procuram ajuda chegam ao centro pela primeira vez, é-lhes feita uma avaliação. Para isso, assistentes sociais recorrem a um questionário com perguntas para duas respostas apenas: “sim” ou “não. “Sente necessidade de aumentar as quantias apostadas no sentido de obter o desejado entusiasmo?”; “sente inquietude ou irritabilidade quando tenta reduzir ou parar de jogar?”; “depois de perder dinheiro no jogo, retorna frequentemente no dia seguinte para recuperar as perdas?”, são algumas das questões que os jogadores têm de responder.
Além disso, é-lhes perguntado se recorrem à mentira para encobrir a extensão do seu envolvimento no jogo, se colocaram em risco ou perderam relações significativas, emprego ou oportunidades de carreira ou académicas por causa dessa prática e se procuram outras pessoas com o fim de obter dinheiro para aliviar uma situação financeira desesperada causada pelo jogo.
“Conforme os resultados, o IAS faz um plano para a pessoa. Não há estratégias padronizadas”, explica Elaine Tang. “Depois da avaliação, as pessoas recebem aconselhamento e recorremos a terapia cognitivo-comportamental para lidar com elas. Normalmente, esta fase dura meio ano, mas depende de cada situação”. A frequência das visitas dos utentes ao centro também depende da gravidade do vício. “No início, têm de vir cá duas vezes por semana ou até mais frequentemente. Depois de a situação normalizar, podem passar a vir de dois em dois meses”.
A parte mais complicada do aconselhamento a quem sofre com o vício do jogo é resolver os problemas financeiros. “A maior dificuldade é aconselhar sobre a questão das dívidas de jogo, porque quando chegam a nós já têm muitas dívidas e não ganham muito dinheiro, por isso, há uma grande dificuldade em resolver os problemas”, explicou a assistente social.
Para ajudar com esta questão, “o IAS dá subsídios a algumas organizações não-governamentais para os trabalhadores do sector do jogo e, assim, eles podem organizar planos especiais”. Além disso, frisou Elaine Tang, existem os serviços de auto-exclusão que “também ajudam a resolver os problemas”.
“Temos alguns quiosques de informação sobre jogo responsável e quem tem problemas pode pedir aconselhamento através das máquinas e recorrer à auto-exclusão. Há também uma linha de apoio que funciona durante 24 horas, uma conta de ‘WeChat’, ‘Facebook’ e uma aplicação para telemóvel”. Elaine Tang garante que muita gente recorre a estas plataformas para obter informações e pedir ajuda.
CONSELHOS DO IAS PARA PREVENIR VÍCIO DO JOGO
Aos jogadores:
-Trate o jogo como entretenimento e recuse-se usá-lo como uma ferramenta de investimento ou ganhos
-Compreenda os potenciais riscos associados às actividades do jogo antes de se envolver e estabeleça um limite razoável de tempo e dinheiro gasto no jogo
-Quando jogar não leve cartões ATM, não peça dinheiro emprestado e não beba em excesso
-Registe as actividades de jogo, os resultados e as datas em que jogou
-Procure apoio assim que se aperceba que o comportamento de jogo se tornou incontrolável
Às famílias:
-Não acompanhe ou ajude menores a envolver-se no jogo, nomeadamente comprando-lhes bilhetes da lotaria
-Mostre consideração pelos jogadores e previna que se tornem viciados
-Dissuada menores de participar no jogo
-Apoie e encoraje os indivíduos com distúrbio do jogo a receber aconselhamento e tratamento e evite dar assistência monetária directa



