Ao longo deste ano, a Casa de Portugal em Macau pretende executar um vasto programa de actividades, como os ateliers da Escola de Artes e Ofícios e aulas de outras áreas incluindo as modalidades mais físicas ou a música. As iniciativas feitas a pensar nos mais pequenos, em particular o programa de férias em Portugal são para continuar, garante a presidente da associação, no entanto, permanece o problema da falta de espaço e dos impedimentos à realização de certas actividades em edifícios industriais
Inês Almeida
A Casa de Portugal em Macau promete continuar a apostar nos vários ateliers e aulas que oferece no âmbito da Escola de Artes e Ofícios além das actividades que organiza para a comemoração de datas importantes e dos campos de férias direccionados para os mais novos, apesar de se manterem os problemas de falta de espaço que limitam o campo de acção, indicou Amélia António.
“Todos os ateliers vão estar em permanente actividade, portanto, a cerâmica, a joalharia, a pintura, gravura, artes plásticas, além de algumas coisas mais ligadas às actividades físicas como o ioga, ‘aerodance’, manutenção e TRX”, assegurou a presidente da Casa de Portugal em declarações à TRIBUNA DE MACAU. Ao nível da música, também todas as aulas estão preenchidas.
“Temos um problema que é não podermos responder a muitos pedidos, porque não temos onde pôr as pessoas por causa do barulho. Não temos muitas salas onde se possa estar a dar aulas de música porque estão outras pessoas a trabalhar ao lado, portanto, acabamos por não conseguir responder apesar de termos formadores. Os espaços não permitem responder a todos os pedidos”, lamenta Amélia António.
A presidente da Casa de Portugal destaca que há aulas que são particularmente concorridas, mas outras acabam por não esgotar, por exigirem um maior grau de especialização. “Há áreas onde o grau de conhecimento já é grande, muito desenvolvido e, normalmente, essas aulas têm menos alunos porque não há muita gente que escolha aprofundar certas áreas”, disse, apontando como exemplo a joalharia que “tem muitas especializações”.
Além da Escola de Artes e Ofícios, a Casa de Portugal continuará a investir noutros programas como a participação no Festival de Artes de Macau e no “Fringe”. “Depois temos as datas nacionais como o 25 de Abril e o Junho Português”, cujos detalhes só serão conhecidos mais perto das datas. Este ano acresce “algo especial” dedicado aos 20 anos da RAEM. A aposta na música também será mantida.
O calendário de 2019 inclui também uma iniciativa que arrancou há dois anos e que envolve o envio de crianças e jovens para Portugal em período de férias com o objectivo de desenvolverem as suas capacidades em Língua Portuguesa. A actividade destina-se à faixa etária entre os nove e 13 anos.
“Este ano mantemos a mesma idade porque eles já têm autonomia para poderem ir e estar sem os pais, porque temos sempre pessoas com eles. Esse programa teve um êxito extraordinário. Os miúdos gostaram muito e ele tem sido muito procurado. Nem sequer temos podido responder a todas as inscrições por dificuldades”, explicou Amélia António.
Como exemplo, a presidente da Casa de Portugal referiu que, no ano passado, havia olimpíadas de estudantes em Coimbra o que trouxe dificuldades na procura de alojamento para todas as crianças inscritas. “Eles têm de ficar todos no mesmo sítio por causa das pessoas que os acompanham”.
Amélia António diz que actualmente já estão a ser negociados os alojamentos com Portugal para o programa deste Verão. Por norma, esta actividade de férias inclui uma componente de aulas de Português e outras iniciativas e visitas para que fiquem a conhecer Portugal e a cultura.
O “drama” da falta de instalações
Todas estas actividades têm como principal obstáculo a falta de espaço. “É o drama do Verão. Fazemos campos de férias para os miúdos. Temos agora na Páscoa um mais pequenino, porque são poucos dias. Normalmente temos de fazer duas salas pelo menos. Depois no Verão fazemos outro que apanha Julho e Agosto e às vezes a primeira semana de Setembro, quando as aulas começam mais tarde. São oito ou nove semanas”, explicou Amélia António frisando que estas actividades “têm uma procura louca”, o que cria “exigências enormes para conseguirmos ter actividades bem organizadas e agradáveis para os miúdos porque isto implica instalações”.
“Isto é um drama porque não os podemos levar para a Areia Preta. Não temos condições para ter lá os miúdos e andamos todos os anos a pedir emprestado e a ver quem é que nos cede algumas salas. Isso é dramático porque, a certa altura, não podemos mesmo aceitar todos os miúdos que se pretendem inscrever porque não conseguimos”, apontou a presidente da Casa de Portugal, garantindo que esta situação se repercute ao longo de todo o ano.
“Há actividades para os miúdos ao longo do ano como dança e representação em que acontece a mesma coisa. Andamos a pedir ajuda de todo o mundo. No ano passado, nos primeiros meses, cederam-nos uma sala perto do Lago Nam Van, mas depois o espaço estava comprometido para outras coisas e não nos pudemos manter lá o ano lectivo todo”.
As limitações causadas pela falta de espaço já afectaram actividades organizadas pela própria Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, uma vez que, de acordo com as regras do organismo, as iniciativas para crianças e jovens não podem decorrer em edifícios industriais.
Amélia António garante que a Casa de Portugal já tentou “tudo” para tentar encontrar outros espaços. “Chateamos todo o mundo. Pareço um disco partido a falar disto, mas não vejo nada no horizonte e tenho imensa pena porque há falta. Quando pedimos isto não é uma coisa para a Casa. É para criar condições para a Casa poder prestar um serviço de que a comunidade precisa. Podemos ver pelo número de inscrições e procura”, frisou.
“Precisávamos de um espaço onde pudéssemos ter a Escola de Artes e Ofícios toda porque é alarmante a subida de preço das instalações e nós estamos aflitíssimos com a situação da música. Temos ali problemas para conseguir encaixar os horários das actividades e conseguir tirar o máximo partido do espaço”. No entanto, Amélia António insiste particularmente numa solução para os problemas envolvendo as actividades para jovens, cujas limitações são “muitíssimo maiores”.
A presidente da Casa de Portugal sublinha que as iniciativas pensadas para as camadas mais novas são “coisas interessantes” e com uma componente pedagógica. Além disso, “usamos o apoio da Fundação Macau para criar condições para que mesmo os pais que têm menos poder económico possam ter os miúdos a frequentar as coisas”, explicou Amélia António.



