Filipe Costa, Mariana Pereira e Nuno Variz representam a Casa de Macau no Reino Unido no Encontro de jovens macaenses
Filipe Costa, Mariana Pereira e Nuno Variz representam a Casa de Macau no Reino Unido no Encontro de jovens macaenses

Criada há três anos, a Casa de Macau no Reino Unido ainda não possui sede mas tem já objectivos definidos: unir a comunidade macaense no país que, caso contrário, se perde “na dispersão dos afazeres” e até do próprio território, sublinhou o vice-presidente.  Filipe Costa destaca ainda que pretendem que a cultura não se perca entre os membros da comunidade

 

Inês Almeida

 

Sem a Casa de Macau a comunidade macaense no Reino Unido “perde-se um pouco na dispersão dos afazeres, do território, de uma identidade que não está constituída”, defendeu o vice-presidente em declarações à TRIBUNA DE MACAU. Pelo contrário, com ela, “constitui-se uma unidade e a consciência de pertença a uma comunidade e isso é extremamente importante porque as pessoas deixam de ser cidadãos anónimos onde quer que estejam e passam a assumir uma consciência, ainda que inconsciente, de que pertencem a um grupo, à comunidade de Macau”, frisou Filipe Costa.

Foi da amizade entre Filipe Costa e o presidente da Casa de Macau no Reino Unido que a associação nasceu, há três anos. Esta é a mais recente Casa integrada no Conselho das Comunidades Macaenses. Actualmente, conta com cerca de uma centena de sócios. “Para uma associação que ainda não tem uma sede, isso é um número bastante interessante, o que revela que há macaenses, por um lado, e, por outro, que têm vontade de se unir num grupo”, sublinhou Filipe Costa.

Para alterar essa situação, a direcção está “em negociações” com a câmara municipal. “As condições são difíceis, precisamos de algum apoio das instituições para que possamos ter uma sede em condições dignas de representar Macau e a sua diáspora”.

No que respeita ao número de membros, destaca que “os macaenses vão aparecendo aos poucos”. “A Inglaterra é um país extenso e os macaenses, muitas vezes, diluem-se nos 60 milhões de habitantes”. No entanto, as redes sociais têm tido um papel predominante direccionando a comunidade macaense no país para a Casa de Macau.

“Não sabemos quantos macaenses existem no Reino Unido. Eles vão chegando aos poucos, aparecendo muito por influência das redes sociais e do que é passado de boca em boca”, explicou o vice-presidente. De qualquer modo, assegura Filipe Costa, o número de associados “tem vindo a crescer”. “Foram chegando um a um porque no princípio só conhecíamos meia dúzia [de macaenses] e foram chegando aos poucos”.

Embora ainda procurem um espaço físico para sediar a Casa, ela deverá localizar-se no centro do país, em Northampton. “Temos uma localização geográfica para acolher tanto os macaenses que vivem no Sul [do Reino Unido] como os que vivem no Norte porque estamos no Centro”.

De qualquer modo, a Casa de Macau no Reino Unido tem vindo a marcar presença “a nível institucional” dando-se a conhecer “nos vários órgãos institucionais do país” e também “através da participação em feiras e eventos de âmbito cultural, quer de Northampton, quer de outras cidades próximas”.

 

Manter as tradições

Questionado sobre a presença e o espaço que a comunidade macaense tem no Reino Unido, Filipe Costa opta por falar primeiro da Região Administrativa Especial que já foi colónia inglesa. “Podemos estabelecer um certo paralelo entre Macau e Hong Kong. Para os ingleses, Hong Kong é o espaço geográfico de eleição e, por via disso, Macau também adquire alguma projecção”, explicou o vice-presidente à TRIBUNA DE MACAU.

No entanto, ressalva, a comunidade que reside em Inglaterra, no país, tende a não se destacar. “Para os ingleses, é um grupo demasiado pequeno para ter uma presença marcante na vida social. Não podemos aspirar a que Macau seja maior que a China. Temos clara percepção do tamanho [da comunidade], da dimensão”, destacou.

Isso não significa que não possam trabalhar, enquanto instituição, para a preservação da cultura que está associada à comunidade macaense. “O nosso objectivo não é tanto marcar uma posição na vida social do Reino Unido mas, sobretudo, salvaguardar que entre os macaenses, a cultura não se perca. O objectivo é preservar o que resta da herança cultural macaense”.

E esta herança cultural abrange vários vectores como é o caso da gastronomia, do Patuá, das tradições e até “da própria condição de ser macaense”. “É isso que pretendemos fazer para que os macaenses se concentrem, projectem e criem uma consciência enquanto grupo”, defendeu Filipe Costa.