A entrada em funcionamento do Metro atraiu ontem uma multidão à Estação do Terminal Marítimo da Taipa, de onde partiu a primeira carruagem às 15h33. Houve mesmo quem tenha vindo dos EUA exclusivamente para satisfazer a curiosidade pelo projecto, ou interrompido o trabalho na Península na esperança de encontrar uma alternativa para evitar o trânsito de autocarros ou os preços dos táxis
Rima Cui
Dez dias antes de celebrar o seu 20º aniversário, a RAEM apresentou uma “prenda” para residentes e turistas. Pelas 15h33, começou a primeira viagem da linha da Taipa do Metro Ligeiro desde a estação do Terminal da Taipa, mas meia hora antes já se concentravam no local centenas de pessoas de todas as idades para “experimentar o sabor do caranguejo”, como se diz na comunidade chinesa.
A fila expandiu-se rapidamente, sendo acompanhada por funcionários da Sociedade do Metro Ligeiro que entregavam panfletos sobre as estações, aspectos a que os passageiros devem prestar atenção e um mapa sobre o itinerário.
O arranque do Metro atraiu, inclusive, um jovem natural de Zhejiang mas a viver nos EUA, que revelou ter vindo ao território exclusivamente para experimentar o novo sistema de transporte. “Sou fanático por meios de transporte ferroviários desde pequeno. Costumo ver o arranque das respectivas viagens em diferentes cidades do mundo e escrever sobre essas experiências. Penso que, para Macau, o Metro Ligeiro tem grande significado porque se trata do primeiro meio de transporte do género”, indicou Jack Liu ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, explicando que iria prestar atenção à capacidade de transporte, número e dimensão das carruagens.
Para este jovem, os atrasos neste projecto em Macau são normais, até porque isso tem sido um problema comum noutros sistemas do Metro no mundo. Na sua opinião, cidades chinesas pequenas mas economicamente avançadas como Suzhou, Hangzhou e Wuxi podem servir de bons exemplos de funcionamento do Metro.
Por sua vez, a alegria do residente Chan por ser “passageiro pioneiro” do Metro misturava-se com “sentimentos complicados”. Enquanto conversava com amigos no exterior da estação, o cidadão de meia idade começou a elaborar uma história para o Wechat, criticando o custo avultado e a longa demora no projecto.
“Já esperei tanto tempo para desabafar nas redes sociais. Eu e todos os meus amigos partilham a mesma crítica, porque o custo de 11 mil milhões é um exagero para um itinerário com apenas 9,3 quilómetros. Mas, as pessoas de Macau são assim: mesmo insatisfeitas, protegem o seu próprio projecto. Por isso, vêm cá na estreia para o apoiarem, embora no fundo do coração tenham muitas dúvidas”, desabafou.
Apesar de tudo, Chan acredita que o sistema, mesmo só com uma linha na Taipa, irá ajudar a aliviar o trânsito e expressou o desejo de que o Metro venha a estender-se à Península, e com ligação ao Continente.
Por volta das 16 horas, as pessoas que acabavam de chegar à estação do Terminal Marítimo tinham de esperar, em média, cerca de 30 minutos para entrar na carruagem. As carruagens estavam lotadas por passageiros ávidos por filmar o Metro em andamento, tirar fotografias ao bilhete redondo azul ou transmitir a experiência em directo, apesar dos solavancos sentidos nalgumas curvas.
Ravin Maharaj, trabalhador não-residente oriundo da África do Sul, classificou a experiência como “fantástica”. “O Metro circulou de forma fluída com uma velocidade adequada e os passageiros estavam todos contentes”, disse a este jornal.
Considerando que os preços dos bilhetes, entre seis e 10 patacas, são “razoáveis” e “muito competitivos, comparativamente à cobrança dos táxis”, Ravin Maharaj não escondeu a vontade de vir a usar o Metro no dia-a-dia.
Já Leong, que trabalha na área das reparações, “interrompeu” o trabalho na Península para “testar” o Metro, ao qual atribuiu uma nota de seis, numa escala até 10. “A viagem é demasiado curta, mas é melhor termos um Metro assim do que nada. Seis patacas é um preço tão baixo que vai ‘vencer’ totalmente os autocarros que causam sempre muito congestionamento. Quem sabe se, um dia, o Metro não irá provocar outro tipo de ‘trânsito’, que obriga a contratar pessoas especificamente para empurrar passageiros para carruagens, como em Pequim e no Japão”, apontou entre sorrisos.
Alerta de segurança motivou evacuação de carruagem
Meia hora depois de ter sido aberto ao público, o Metro Ligeiro sofreu o primeiro contratempo. Numa carruagem que tinha saído da estação Oceano e seguia em direcção ao Terminal Marítimo da Taipa, os passageiros foram obrigados a sair na paragem da Flor de Lótus. De acordo com a Sociedade do Metro Ligeiro, “o sistema de monitorização emitiu um alerta de segurança”, pelo que a carruagem teve de ser evacuada. Como o número de passageiros era demasiado elevado, os funcionários tiveram de pedir para que esperassem pela próxima carruagem, explicou a empresa, indicando que “o problema foi causado pela sobrecarga”. Apesar deste incidente ter gerado alguma “confusão”, a empresa considerou que o primeiro dia correu bem.
C.P.
Avenida de Guimarães com travessia pedonal
A primeira parte da travessia pedonal ao longo da Avenida de Guimarães na Taipa entrou ontem em funcionamento. Trata-se de um troço situado entre a estação do Metro na Avenida do Estádio e a Rotunda do Estádio, sendo constituído por duas faixas pedonais, cada uma com cerca de 190m de comprimento e 2,5m de largura. Segundo a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes, posteriormente será construída a restante parte, que atravessará a Rua de Nam Keng, a de Coimbra, de Seng Tou, de Bragança e a Rotunda do Estádio, “permitindo uma melhor ligação entre a estação de Metro Ligeiro, na Avenida do Estádio, e o Parque Central da Taipa e suas imediações”.
PREÇOS DOS BILHETES
Três estações – 6 patacas (3 com cartão)
Seis estações – 8 patacas (4 com cartão)
Dez estações – 10 patacas (5 com cartão)
ESTAÇÕES DA LINHA DA TAIPA
1-Terminal Marítimo
2-Aeroporto
3-UCTM
4-COTAI Leste
5-Jogos da Ásia Oriental
6-Posto Fronteiriço de Lótus
7-Cotai Oeste
8-Pai Kok
9-Estádio
10-Jockey Clube
11-Oceano



