O número de participantes no baile de caridade da Caritas Macau diminuiu, mas a instituição conseguiu arrecadar mais de 700 mil patacas. O secretário-geral da instituição partilhou preocupações sobre o apoio a idosos, as taxas médicas e a falta de trabalhadores

 

Salomé Fernandes

 

Com cerca de 250 pessoas a irem ao evento, o Baile de Caridade Anual da Caritas Macau arrecadou mais de 700 mil patacas. O valor, garantiu o secretário-geral da instituição, Paul Pun, corresponde ao que se esperava com base no número de participantes.

“No ano passado houve mais gente porque ontem [sábado] no calendário chinês era um bom dia para casamentos. Por isso, havia muitas actividades, e sabíamos que teríamos menos actividades. Mas de qualquer forma algumas das pessoas que não puderam participar fizeram na mesma doações para mostrar o seu apoio”, explicou Paul Pun em declarações à TRIBUNA DE MACAU.

Neste momento, o maior desafio que a Caritas enfrenta prende-se com a insuficiência de trabalhadores. “Necessitamos de mais pessoal disposto a ajudar ao nosso desenvolvimento”, disse.

A estrutura tem um total de mais de 800 pessoas, mas a equipa precisa “pelo menos mais 100”. Em concreto, a entidade necessita de mais enfermeiros, cuidadores de apoio a cidadãos em casa e de gestores de distribuição de recursos.

Em resposta aos maiores desafios que o sector social enfrenta, Paul Pun sublinhou a necessidade de “aumentar o apoio familiar e assistência ao domicílio aos idosos”, e de pensar “como reduzir taxas [médicas] de forma proporcional”. De acordo com o responsável “as nossas taxas médicas são cada vez mais altas”, existindo uma preocupação sobre como manter os preços em “valores razoáveis”. Isto, tanto para trabalhadores não residentes como para membros da população local.

No que toca aos idosos, considera que é da responsabilidade dos filhos tomar conta dos pais, mas que se devem apoiar as famílias. “Se o Governo conseguir dar subsídio social a famílias cujos pais estão muito doentes, isto ajuda-os a tomar conta dos idosos em casa”.

Por outro lado, desvalorizou a possibilidade do tamanho das facções constituir um entrave a que as famílias cuidem dos idosos. “As casas são pequenas mas a família é só uma. Não se prende com o tamanho das facções, mas com a capacidade de suportar o fardo”. Assim, considera ser necessário haver preparação das famílias para que saibam como acolher e cuidar dos idosos para que se apercebam de que “não seria um fardo tão grande como pensavam”.

 

 

Creche de ensino integrado em preparação

A Caritas está a construir um infantário de ensino integrado, cujas obras devem ser concluídas este mês, disse Paul Pun à TRIBUNA DE MACAU. Quanto à entrada em funcionamento, o secretário-geral da instituição indicou apenas que “depende de autorização da licença de operação”. A creche terá mais de 100 vagas, sendo 10% disponibilizadas a crianças com deficiência física ou mental. A proporção deve-se a que “as pessoas com deficiência em Macau correspondem a menos de 10% [da população]. São cerca de 6%”. O projecto “é importante porque apresenta uma nova direcção”, salientou Paul Pun, que acredita haver hoje menos resistência ao apoio a crianças com deficiência. “Agora as pessoas têm mais conhecimento”, declarou.