A Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) vai tentar negociar com o Governo a cedência de um terreno para instalar os galgos, ao mesmo tempo que procurará exportar os animais para o Interior da China. Esta foi uma das possibilidades debatidas com o IACM. Sem especificar uma proposta concreta, Angela Leong disse que o plano para os galgos está dependente do Executivo

 

Viviana Chan

 

A directora-geral da Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen), Angela Leong, disse que o plano do Canídromo para os galgos, exigido pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), está dependente do Governo. Isto porque a concessão de um espaço para colocar os animais é uma das possibilidades discutidas nas negociações.

Em declarações aos jornalistas, Angela Leong questionou se o Executivo pretende levar todos os galgos para outro local de uma vez. “Deve ser dado um lugar? Vou ficar com os galgos, mas tenho espaço para isso? Estamos a discutir estas possibilidades”, afirmou.

No encontro com o IACM, foi debatida a exportação dos cães para o exterior, disse a empresária, esclarecendo no entanto que não participou directamente nas negociações. “Muitos destinos [para os galgos] foram debatidos, mas temos de ver as condições higiénicas. Temos muito para pensar. Se o Governo me ceder um terreno, cuidarei deles sem problema. São vidas, e os seres humanos também morrem um dia”, declarou.

Revelando ainda que exportar para o Interior da China pode ser uma hipótese, Angela Leong admitiu não ter um calendário previsto para o plano dos galgos.

Em relação ao prazo imposto pelo IACM para entrega do plano até final deste mês, a directora-geral da Yat Yuen acredita que, por agora, os cães estão muito bem no Canídromo. “São cães felizes. Acredito que não há cães mais felizes do que os galgos em Macau”, disse, notando que em breve só terão de “comer, brincar e não precisarão de correr”.

Embora se tenha escusado a adiantar pormenores, garantiu que “temos muitas e diferentes propostas” sobre o futuro dos galgos. “Não participei nisso, mas o responsável pelo Canídromo tem comunicado com o Governo de forma contínua para ver o que vamos fazer”, salientou.

“Ambas as partes devem ter a oportunidade de discutir o assunto. Do meu lado, é essencial assegurar o emprego dos trabalhadores, porque devem ter algo para fazer. Não podem ficar desempregados, porque como sabem os funcionários do Canídromo já não são jovens. Em segundo lugar, temos de pensar como é que se protege os galgos”, referiu.

A empresária afirmou que “os galgos estão disponíveis para ser adoptados publicamente” e assegurou que há “muitos amigos” que se mostraram disponíveis para o fazer. “São verdadeiros amigos aqueles que já se inscreveram para adoptar um galgo. Sei que estes amigos não vão levar os galgos para vender, nem para actividade lucrativas. Vou dialogar com eles. Há pessoas que usam esta informação para os seus fins, há quem faça peditórios para isto e não concordo com isso, nem sequer em dar-lhes um cão. Quem diz que ama os animais, precisa mesmo de amar e protegê-los”.

Angela Leong afirmou ainda que existe um “grande número de associações locais” ligadas aos animais que querem ficar com os galgos, mas “temos de ver se estas associações têm capacidade para ficar com tantos e se podem vendê-los”. A empresária elogiou ainda os galgos, dizendo que é uma “grande espécie”.

No comunicado do IACM consta que o Canídromo disse ter um programa de adopção, mas registou pouca procura. O Jornal TRIBUNA DE MACAU fez uma pesquisa na página de internet do Canídromo, mas não há qualquer tipo de informação sobre esse programa. Do mesmo modo, não se encontra informação disponível sobre o programa noutros sites.