Chegou ao fim mais um prazo para o Canídromo apresentar uma solução para o futuro dos galgos, mas desta feita o pedido foi dirigido à Inspecção e Coordenação de Jogos, com conhecimento ao IACM. Até ontem à noite, desconheciam-se os pormenores do novo plano, mas a mudança de destinatário deverá confirmar a intenção de colocar os cães no Jockey Club. Desde Junho, o IACM ainda não recebeu nenhum pedido de declaração sobre o estado de saúde de animais, documento usado para exportação

 

Liane Ferreira e Viviana Chan

 

No derradeiro dia para apresentação do plano que poderá definir o futuro dos cães do Canídromo, a Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) respeitou o novo prazo e apresentou ontem um projecto, mas não ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), que o tem solicitado desde Agosto de 2017. Desta vez, a proposta foi dirigida à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), com conhecimento ao IACM.

“O plano foi recebido, mas desta vez o Canídromo apresentou um pedido específico para os galgos à DICJ. Por conseguinte, é necessário aguardar que a autoridade competente reveja e responda ao pedido”, avançou o IACM, salientando que “continuará a supervisionar o cumprimento da Lei de Protecção dos Animais”.

Questionado se o projecto entregue à DICJ inclui a transferência dos galgos para o Jockey Club, o IACM disse não ter detalhes para divulgar, restando ao organismo e à sociedade em geral aguardar pela posição da DICJ.

No domingo, Albano Martins, presidente da ANIMA, revelou que a associação recebeu informações dando conta de que trabalhadores do Canídromo estavam a preparar as instalações do Jockey Club com vista à recepção dos galgos. No entanto, nessa altura, a DICJ ainda rejeitava ter recebido qualquer pedido nesse sentido.

O líder da ANIMA tem manifestado oposição a essa hipótese, porque o Hipódromo tem piores condições para os animais do que o próprio Canídromo, tendo inclusivamente chegado a morrer um cavalo devido às altas temperaturas no interior.

 

IACM sem pedidos de declarações usadas para exportação

O IACM revelou à TRIBUNA DE MACAU que, desde o início de Junho, não registou nenhum pedido de declaração sobre o estado de saúde de animais, referente especificamente aos galgos do Canídromo. Esse é um dos documentos necessários para a exportação.

A eventual exportação de galgos para a China Continental tem sido uma das grandes preocupações em torno deste processo, sendo que este jornal já detectou casos de lojas de animais em Pequim a fazer publicidade à venda de cães do Canídromo. Além disso, segundo uma investigação da MASTV, uma quinta de reprodução na capital chinesa garante que galgos de Macau podem ser encomendados e entregues no prazo de mês e meio, através de um canal ilegal pela Tailândia.

Por outro lado, as autoridades de Hong Kong avançaram ter chegado a acordo com o IACM sobre a criação de um mecanismo especial para facilitar a adopção dos galgos. Esse sistema prevê que uma parte do exame veterinário seja feita em Macau, pelo que os galgos adoptados por residentes de Hong Kong poderão ficar menos tempo em quarentena. De acordo com uma nota de imprensa do IACM, o procedimento foi simplificado, após averiguações nas instalações do Canídromo e a análise dos procedimentos de exportação da RAEM.

Segundo a explicação, o mecanismo especial prevê que os galgos recebam pelo menos duas vezes três tipos de vacinação, com uma pausa de duas a quatro semanas. Além disso, os galgos devem receber uma injecção contra a raiva e, 30 dias depois, submeter-se a análises de sangue num laboratório indicado pelo Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação de Hong Kong. Caso superem todos os exames, os galgos poderão ir para a RAEHK devendo sair de Macau no prazo de 90 dias a partir da data da realização das análises. Nos casos em que os galgos não precisam de se sujeitar à quarentena, só terão que ficar em casa por mais de 30 dias.

A mesma nota salienta que o referido mecanismo só é aplicável aos galgos do Canídromo e as vacinas apenas podem ser administradas por veterinários do IACM. Os pedidos de autorização especial só serão aceites até 31 de Agosto para galgos que tenham sido adoptados no Canídromo depois de 1 de Junho. Esta autorização tem o prazo de validade de seis meses.

Actualmente, o tempo de espera para uma vaga na quarentena em Hong Kong é de quatro a cinco meses e ainda são precisos no mínimo 120 dias nesse espaço.

De acordo com os últimos dados divulgados pela Yat Yuen, registaram-se 39 pedidos de adopção de Hong Kong.

 

ANIMA resgata galgo que tinha sido entregue ao Canil

A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) resgatou ontem um galgo de seis anos e meio que tinha sido abandonado no Canil Municipal. Na sua página no Facebook, a associação explicou que o cão foi adoptado por uma pessoa da China Continental, que depois o entregou no Canil. Segundo a ANIMA, o galgo tem problemas de mobilidade numa pata e está muito magro, como de resto é comum aos cães do Canídromo. O presidente da ANIMA tem vindo a alertar para situações deste género de abandono de animais, após terem sido adoptados.