Um jovem universitário de 21 anos trouxe de Abu Dhabi a primeira medalha de ouro conquistada por um representante de Macau no Campeonato do Mundo das Profissões. Apesar da importante vitória na categoria de “web design”, Fong Hok Kin admite que ainda tem muito a aprender e confessa o desejo de trabalhar na área financeira. O treinador, Mak Seng Hin, acredita que a procura de quadros nos ramos da informática e tecnologia vai aumentar em Macau
Rima Cui
Fong Hok Kin, aluno do Instituto Politécnico de Macau (IPM), fez história na edição deste ano do Campeonato do Mundo das Profissões, realizada em Outubro na capital dos Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi. Ao triunfar na modalidade de “web design”, o jovem de 21 anos garantiu a primeira medalha de ouro conquistada por Macau nesta competição mundial, em que participa desde a década de 1980.
Em entrevista ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Fong, que está a frequentar o terceiro ano da licenciatura em Informática, não escondeu a alegria pelo resultado de muitos esforços e tentativas, depois de há dois anos já ter obtido o terceiro lugar na fase de qualificação para o campeonato, na RAEM. Apesar de ser agora conhecido como campeão mundial naquela vertente informática, Fong Hok Kin mantém uma atitude modesta e sublinha que ainda tem muito a aprender e grande margem de progresso.
O seu percurso no universo informático começou no ensino secundário e estendeu-se por muitas competições no campus e na cidade, em segmentos como computadores em rede e programas informáticos, mas desta vez a sua ambição produziu frutos no campo do design de páginas electrónicas. Atendendo às experiências acumuladas, Fong Hok Kin pretende abraçar no futuro uma carreira no sector das finanças, por acreditar que o seu maior talento está na gestão de sistemas de vendas.
Durante a competição mundial, o representante de Macau ficou no mesmo grupo de três participantes do Canadá, Áustria e Holanda. Para além de se sentir feliz com a oportunidade de trocar ideias com jovens de outras partes do mundo, Fong Hok Kin notou que, em comparação com os chineses, os ocidentais têm a “vantagem espontânea” de ler melhor e mais rapidamente em Inglês, uma “língua importantíssima” na área informática.
Além disso, considera que actualmente as páginas electrónicas ocidentais permitem mais espaço para desenho e decoração, bem como uma melhor mistura entre caracteres e imagens. Já no que respeita ao design de sites na China, salienta que, pelo facto das páginas estarem normalmente repletas de caracteres, há menos espaço livre para outros elementos. Ainda assim, o jovem acredita que os chineses possuem melhor capacidade de aprendizagem nesse domínio.
Quadros da área informática com perspectivas “brilhantes”
Aluno do IPM destacou-se no “design” de páginas electrónicas
Em Abu Dhabi, o ritmo da competição foi intenso, prolongando-se por cinco horas diárias durante quatro dias, destacou Mak Seng Hin, treinador do aluno premiado e director do Departamento de Sistemas de Informação e Tecnologia do Centro de Transferência de Tecnologia e Produtividade de Macau.
Antigo participante na mesma competição, organizada de dois em dois anos, Mak Seng Hin explicou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que todos os trabalhos tiveram de ser realizados no local da prova e a partir do “zero”. Como os temas variaram todos os dias, os concorrentes tiveram de produzir quatro páginas online: sobre espectáculos de moda, indicações de trânsito, jogos e uma para apresentar mesquitas de Abu Dhabi.
Entre as quatro obras, Fong Hok Kin obteve melhor nota na página de espectáculos de moda e teve uma prestação relativamente pior no design do site sobre jogos, disse o treinador.
Através das interações com a “nova geração”, Mak Seng Hin entende que os jovens nascidos na década 90 e no século XXI destacam-se em termos das capacidades de pesquisa e recolha de informações, porque “estão familiarizados com a aprendizagem na Internet”.
Questionado sobre as potencialidades do sector no território, Mak Seng Hin considerou que os quadros das áreas da informática e tecnologia serão cada vez mais procurados. “Temos falado frequentemente da cidade inteligente, tendência que fará com que todos os sectores precisem de uma grande quantidade de dados. Assim, não só haverá grande procura de talentos informáticos na área em si como em todas as indústrias. Há 10 anos, os sistemas informáticos eram tratados por seres humanos, mas agora já conseguem analisar os dados sozinhos, servindo mais as pessoas”, sustentou.
Na sua perspectiva, o futuro dos quadros locais formados na área informática será, por isso, “brilhante”. Por outro lado, salienta que, desde 2003, todos os participantes na competição de informática de Macau que conhece optaram por ficar a trabalhar no território, alguns criando mesmo os seus próprios negócios. “Não vi uma fuga de quadros”, afirmou.
Este ano, 17 jovens integraram a delegação de Macau no Campeonato do Mundo das Profissões, também conhecido como “World Skills”, que juntou 1.300 participantes de 68 países e territórios.
Além da medalha de ouro de Fong Hok Kin, seis jovens de Macau conquistaram prémios de excelência, em modalidades como electrónica, serviço de restauração, arte floral, instalação de redes informáticas e cablagem e soluções de “software” para negócios, segundo anunciou a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais.



