O Aeroporto de Macau está em negociações com duas transportadoras, uma delas de voos “charter”, para avançar com ligações directas para Lisboa, revelou o director de marketing à TRIBUNA DE MACAU. Para além disso, espera-se que as negociações com a Turkish Airlines tenham resultados mais concretos até ao final do primeiro trimestre. Eric Fong indicou que as notícias sobre a liberalização do mercado levaram duas companhias a expressar interesse em alargar a oferta, quando a concessão da Air Macau terminar. Neste tópico, o director do aeroporto, António Barros, frisou que já existe abertura de mercado na RAEM
Salomé Fernandes e Rima Cui
O plano para criar uma ligação aérea directa entre Macau e Lisboa registou alguns progressos, depois de este jornal ter noticiado em Novembro que a Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau (CAM) estava em “contactos com várias agências de viagens da China Continental com vista a lançar “charters” entre os dois destinos, “na melhor das hipóteses até ao final de 2019”.
À TRIBUNA DE MACAU, o director do departamento de marketing da CAM revelou que a companhia está a negociar com duas transportadoras, para que passem a existir voos directos entre a RAEM e Lisboa. Para além da TAP, “companhia à qual a CAM dá mais preferência”, os contactos envolvem ainda uma empresa que se dedica exclusivamente aos serviços de “charter”, cujo nome Eric Fong preferiu não revelar.
Segundo o mesmo responsável, para além de ainda estar a ser analisada a viabilidade do itinerário em termos de direitos de navegação aérea, essa companhia tenta avançar com a aquisição de voos, processo que “não está fácil”.
No mesmo sentido, as negociações com a Turkish Airlines para operar um voo comercial entre Macau e Istambul ainda duram, mas esperam-se mais informações até Março. “Ainda estamos à espera da decisão final deles. Como mencionaram há muito tempo que gostariam de operar em Macau, continuamos a trabalhar com a sede e o gabinete deles em Cantão. Vamos dar mais detalhes talvez ainda no primeiro trimestre”, disse Eric Fong. A acontecer, esta ligação vai transportar tanto passageiros como carga.
À margem de um jantar oferecido à comunicação social pela CAM, o director do Aeroporto de Macau, António Barros, admitiu que “estamos ansiosos por um voo de longo curso no aeroporto”. Porém, remeteu as dificuldades para as companhias aéreas e a capacidade de atrair o tráfego necessário numa região com 600.000 habitantes.
Face à futura liberalização do mercado aéreo na RAEM, António Barros defendeu que pode trazer benefícios, mas ressalvou que o território já “é muito aberto” nesse domínio e existem possibilidades de desenvolvimento do tráfego.
Relativamente à atracção de companhias para Macau, António Barros sublinha ser um problema de mercado e não do aeroporto em si. “Qualquer companhia aérea que queira operar cá é bem-vinda. Temos todas as instalações, somos um aeroporto certificado, pelo que é um assunto meramente de negócios”, declarou, acrescentando que a CAM tem incentivos para as empresas novas, nomeadamente ao nível da criação de novas rotas ou aumento da frequência depois de começarem a operar.
Neste tópico, Eric Fong disse à TRIBUNA DE MACAU que, após a divulgação do fim da concessão exclusiva da Air Macau no próximo ano, duas companhias aéreas “poderosas” mostraram interesse em aumentar os seus serviços no Aeroporto de Macau. Uma é da China Continental e a outra do Sudeste Asiático, sendo que a CAM está em “negociação activa” com ambas.
Por outro lado, questionado sobre os principais aeroportos com os quais o AIM compete, António Barros descreveu que “temos o nosso próprio nicho de mercado, pelo que somos completamente diferentes de Hong Kong”. E focou-se na cooperação com aeroportos da região, nomeadamente com Cantão, Zhuhai, Shenzhen e Hong Kong, para frisar que todos têm diferentes necessidades e tráfego. O mais importante, frisou, “é servir Macau”, tentando ter um efeito multiplicador na economia e ajudar a transformar a RAEM num destino.
Até Março serão inauguradas três ligações aéreas: para Chiang Mai (Tailândia), Boracay (Filipinas) e Nanchang (capital da Província chinesa de Jiangxi). Além disso, a CAM afirmou ter recebido informação da Air Macau sobre um plano para lançar voos “charter” entre Macau e Hokkaido no Verão, no entanto, serão serviços de “charter” sazonais.
Quanto à extensão a sul do aeroporto, Eric Fong indicou que vai procurar atrair mais transportadoras para Macau, e o AIM está a maximizar as suas operações para conseguir que mais pessoas usem o aeroporto. É uma companhia local que se encarregará das obras, que vão começar no primeiro trimestre e durar cerca de dois anos.
Já sobre o novo serviço de “shuttle bus” entre o posto fronteiriço da RAEM na Ponte do Delta e o Aeroporto de Macau, explicou que o “shuttle bus” vai entrar em funcionamento no segundo trimestre deste ano. No primeiro trimestre, será realizada a obra da sala de espera de “shuttle bus” na fronteira, com uma área de 400 metros quadrados.



