É hoje inaugurada a exposição “Art is Play”, no MGM, que apresenta cinco instalações artísticas de cinco diferentes autores de vários pontos do mundo com o objectivo de criar uma espécie de parque de diversões. Cindy Ieng, a única artista local, inspirou-se nas memórias da infância vivida na Avenida da Praia Grande, próxima da água. Já Ayumi Adachi, japonesa a viver em Hong Kong, focou-se no conceito “Setsuna”, relacionado com tudo o que pode acontecer num muito curto espaço de tempo
Inês Almeida
Cinco instalações de cinco artistas compõem “Art is Play”, inaugurada hoje no MGM Macau. Cindy Ieng, natural do território, apresenta “Mindscape”, uma obra que conduz o público numa viagem à infância da autora.
Ayumi Adachi foca-se na passagem do tempo
“Nasci aqui, completei aqui a minha educação. Estive em Taiwan e há 10 anos estou em Pequim. Devo ser a única artista de Macau a viver lá. Esta obra é um pouco o ambiente de Macau de que me lembro da minha infância”, contou a artista à TRIBUNA DE MACAU. “Eu vivia na Praia Grande, via a água. Tudo isso me inspirava mas, como era pequena, não sabia. Quando cresci, estudei artes e aprendi, comecei a querer expressar várias coisas e tudo isto me veio à mente”, explicou.
Depois de ter começado a pintar em papel, passou para a tela, o vídeo e o teatro. “Quando estamos todos no palco, eu também, como actriz, vejo que a luz é muito bonita. Quando toda a luz está focada numa pessoa no palco, é como se fosse uma pintura. Não sabia como expressar isso através da luz”.
Então, começou o trabalho. “Depois de seis anos de investigação, no ano passado, decidi usar coisas muito simples, do dia-a-dia, por exemplo, frascos de vidro e pequenas luzes, que criam um efeito de fluidez como as nuvens. Como quando mergulhamos no mar, olhamos para cima e vemos o sol a reflectir-se na água” frisou Cindy Ieng.
Porém, ressalva a artista, “tudo depende da imaginação de cada pessoa”. “As coisas estão sempre a fluir, muito depressa, como a água, e pode usar-se qualquer coisa para criar essa ideia. Desta vez foi a luz”.
“Orangelicious” dá “sensação de alegria”
Estar em Pequim é um desafio e, por vezes, é solitário. Ainda assim, há pontos positivos. “A China é muito grande, a cultura é muito diversificada. Em Pequim está a maioria da população artística da China e há duas coisas a salientar: em primeiro lugar é muito desafiante, é preciso esforçarmo-nos muito, mas, por outro lado, estou feliz porque tem um muito bom ambiente e oportunidades para os artistas que querem desenvolver o seu trabalho”, assegura Cindy Ieng.
O ambiente na RAEM “não se pode comparar”. “Locais diferentes têm uma direcção de desenvolvimento própria, por exemplo, Macau está a apostar no turismo”. Além disso, destaca a artista, “a maioria do desenvolvimento artístico depende do Governo”.
Cindy Ieng diz-se “muito feliz” por apresentar uma obra em Macau, sobretudo, porque permite que a mãe a veja. “A minha mãe está muito feliz também. Noutros locais ela não consegue ver, só aqui, porque tem 89 anos. Na semana passada esteve cá a ver o meu trabalho e ficou muito orgulhosa”.
Muitos momentos em pouco tempo
A exposição conta ainda com uma instalação da japonesa Ayumi Adachi que se focou no tema da passagem do tempo, mas num conceito em particular. “Queria falar sobre o conceito de ‘setsuna’, é japonês, e é equivalente a 0.013 segundos. É muito pouco tempo, mas na vida, nesse período, acontece muita coisa. Há pessoas que chegam, há pessoas que vão”, frisou em declarações à TRIBUNA DE MACAU.
Camille Walala aposta nas ilusões ópticas
O conceito materializa-se na forma de estruturas que simulam bolhas de água. “Falo disto recorrendo à forma de bolhas, como as da água, porque estão lá apenas por um período muito curto e depois desaparecem. Escolhi trabalhar sobre isto porque toda a gente tem a impressão de que o tempo é sempre pouco”, apontou Ayumi Adachi.
Para isso, começou por constituir uma bolha, então outra, e foi interligando-as para dar formato a toda a instalação. “Demorei três a quatro anos. São cerca de 10.700 bolhas. Dependendo do tamanho do espaço [onde exponho] posso aumentar”, destacou a artista.
No MGM estará também patente a instalação “Orangelicious”, de “tomtom”, uma artista criada em Hong Kong mas com uma herança cultural com influencias da Irlanda, das Filipinas e até de Macau. A mostra convida o público a entrar numa esfera de “amarelo e cor-de-laranja onde as dimensões, tons e sombras dos balões são seleccionadas com cuidado para dar a sensação de alegria e felicidade”.
Janice Wong cria arte a partir do açúcar
Por sua vez, Camille Walala, nascida em França mas a viver em Londres, criou uma espécie de labirinto onde os visitantes “podem libertar a criança que têm no seu interior e perder-se nos padrões de cor”. “Paredes com diferentes alturas, passagens de larguras distintas, espaços fechados e zigue-zagues dão a ideia da escala humana, e deixa uma impressão visual duradoura”, lê-se num comunicado.
Espaço também para obras da autoria de Janice Wong. A “chef” de Singapura apresenta um “jardim” feito de açúcar que brilha no escuro, com o objectivo de celebrar a flora e fauna da Cidade-Estado de onde é originária, Singapura. A obra conta com mais de 15.000 flores de açúcar pintadas à mão de cor-de-rosa, roxo, azul e tinta ultra-violeta”, penduradas no tecto do espaço de exposição. No mesmo local há um painel com mais de seis metros composto também por flores de açúcar, em diversas camadas.



