Apesar da secretária-geral do Fórum Macau garantir que o Brasil está a seguir de perto as actividades desenvolvidas pelo Secretariado, a vice-ministra substituta do Comércio e Serviços do país assumiu desconhecer o Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa

 

Salomé Fernandes

 

O Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa anunciou em 2017 que iria apoiar um projecto de energia no Brasil que requer um investimento de 200 milhões de dólares americanos, contribuindo com 20 milhões. Questionado sobre o andamento do projecto, Douglas Finardi Ferreira, vice-ministro do Comércio e Serviços do Brasil, remeteu a resposta para a sua substituta. “Não sabemos da existência desse fundo aqui em Macau”, assumiu Renata Carvalho, apontando por outro lado para a existência de um Fundo Brasil-China para investimentos, bilateral e directo.

“É uma óptima oportunidade de estarmos aqui a explorar um pouco mais essa informação, conhecer mais, até para a podermos divulgar mais para as nossas empresas”, comentou.

De acordo com a vice-ministra substituta, o sector dos serviços no Brasil representa 70% da economia, constituído por muitas micro e pequenas empresas. “A barra do fundo bilateral é muito elevada, são projectos com valor mínimo de 100 milhões, então talvez este fundo com Macau possa ter uma linha de corte menor e beneficiar essas micro e pequenas empresas”, disse Renata Carvalho aos jornalistas, à margem de um seminário sobre o Comércio de Serviços entre a China e os países lusófonos, co-organizado pelo Fórum Macau e o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento, que decorreu sexta-feira no MGM Macau.

Apesar de desconhecer as condições do fundo, Douglas Finardi Ferreira, garantiu que “há um renovado interesse do governo brasileiro com o Secretariado em intensificar essas relações comerciais, de utilizar Macau pela questão da língua e cultura como uma plataforma de integração entre o Brasil e a China”.

Por sua vez, a secretária-geral do Fórum Macau sublinhou que “agora é o momento de implementar o memorando” assinado durante a 5ª Conferência Ministerial do organismo entre o Ministério do Comércio e Indústria da China e o Brasil na área dos serviços. Xu Yingzhen indicou ainda que “o Brasil está cada mais perto de nós”, manifestando o seu interesse em estabelecer relações através da participação assídua nas actividades do Fórum.

O comércio de serviços é uma área alargada, que inclui comércio electrónico, medicina, saúde, informações, recursos humanos e o sector MICE. A colaboração em diferentes áreas é exemplificada pelos seminários que se aproximam na próxima semana sobre construção de infra-estrutura entre a China e os países lusófonos. “A China pode aumentar mais a cooperação nesta área com outros países de língua portuguesa”, notou Xu Yingzhen, reiterando que o Fórum envidará esforços para uma maior divulgação do seu papel.

Relativamente às mudanças internas no Fórum ao nível de pessoal, como a integração de Glória Batalha Ung como secretária-geral adjunta, Xu Yingzhen mostrou-se satisfeita. “[Glória Batalha Ung] tem muita experiência de trabalhar com os países de língua portuguesa e muitos contactos com o sector empresarial. E como é um Fórum de Cooperação Económica e Comercial temos de estar muito perto do sector comercial. Então a participação de Glória tem muitas vantagens”.

 

Informação segura para negociar

A participar no evento como orador, Vincent Ip, director do “FoShan ShunDe Weili Trading Co”, indicou que ao nível das exportações para a China Continental “as formalidades são muito complicadas e isso complica imenso os negócios na China Interior”. Algo que indica ter começado a mudar com o desenvolvimento de Macau como plataforma.

Para isso contribuiu também o papel do Fórum. “Através de exposições termos tido oportunidades de contactar com comerciantes credíveis. (…) Com o apoio do Governo temos mais confiança que o negócio corra bem porque confiamos no background da empresa, não temos de fazer essa pesquisa”, explicou.

Num ramo diferente, Lin Zi, vice-presidente da comissão executiva do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) indicou que a instituição que representa criou um projecto de colaboração com empresas financeiras de todo o mundo – até ao momento 36 – para que partilhem mais informações, elevando a capacidade de avaliação de riscos dos bancos. Um projecto que já excedeu os 2,5 mil milhões de dólares americanos.

“Ao termos cooperação com estruturas governamentais estrangeiras temos informação importante para dar às empresas de Macau. Aí temos vantagem de ter essas informações de outros países em primeira mão”, comentou.