O Corpo de Bombeiros vai recorrer a “drones” para reforçar a capacidade de resposta a vários tipos de ocorrências e lançar um mapa electrónico de monitorização dos meios de combate no âmbito do projecto de “cidade inteligente”, anunciou o comandante Leong Iok Sam

 

Rima Cui

 

O combate aos incêndios será reforçado com a implementação de medidas “inteligentes”, realçou o comandante do Corpo de Bombeiros (CB), ao dar conta de uma estratégia que passará também pela aquisição de dois ou três “drones”. Os equipamentos serão utilizados nas operações de resgate urgente e para despistar com maior rapidez a ocorrência de incêndios.

De acordo com Leong Iok Sam, que falava aos jornalistas durante um balanço dos trabalhos desenvolvidos ao longo do último ano, os “soldados da paz” enfrentam dificuldades nas acções de regaste que têm lugar em edifícios altos ou zonas montanhosas, pelo que os “drones” poderão ajudar a minimizar esses obstáculos.

Em cima da mesa está também o plano de lançamento de uma plataforma de gestão, que consiste num mapa electrónico onde serão apresentados factos do momento, nomeadamente, posto de localização do pessoal, dos veículos de emergência, bocas de incêndio, fontes de água, entre outros aspectos.

Neste âmbito, os Bombeiros estão já a estudar uma parceria associada ao projecto de trânsito inteligente. Desta forma, a corporação pretende que, antes da saída das ambulâncias, seja conhecido mais pormenorizadamente o estado de circulação de veículos em determinadas zonas, para que o percurso e posteriormente o resgate sejam concluídos com maior celeridade.

Actualmente, circulam 31 motociclos de emergência do Corpo de Bombeiros que conseguem dar resposta aos problemas de congestionamento das ruas, explicou o comandante. Em todo o caso, o combate contra incêndios de forma inteligente vai contribuir para elevar a eficácia de acções dos bombeiros, assegurar a segurança do pessoal da primeira linha e aperfeiçoar a gestão interna.

Por outro lado, ao longo de 2018, o Corpo de Bombeiros executou 47.327 acções, isto é, menos 609 casos face aos registados em 2017. Porém, em termos homólogos, as ocorrências relacionadas com incêndios subiram 7,93% (1.116 casos).

A partir destes números, os bombeiros informaram que a maioria (43,1%) dos fogos foi motivada por negligência humana, incluindo casos de esquecimento de desligar o fogão, queima inapropriada dos papéis votivos e fogo de artifício. Todavia, nos últimos cinco anos, a ocorrência de incêndios tem-se mantido semelhante pelo que não há uma tendência de subida significativa.

Além disso, as ambulâncias foram chamadas a sair num total de 39.883 casos representando um aumento de 0,68%. Estes veículos foram mobilizados 53.051 vezes (-4,54%) já que num único serviço pode ser necessária a mobilização de mais do que uma ambulância.

Por outro lado, num programa do “Ou Mun Tin Toi”, Chang Tam Fei, coordenador da emergência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, indicou que 95% dos pacientes transportados em ambulância não apresentavam sintomas de elevada emergência.

As operações de salvamento totalizaram 1.493 casos – menos 2,48% face ao ano anterior – abrangendo acidentes de viação, encurralamentos e quedas em altura. Além disso, os serviços especiais foram chamados a intervir em 4.835 casos (-16,03%) incluindo situações de queda de árvores, de substâncias perigosas e fuga de gases.

No ano em análise, o CB efectuou 8.559 vistorias face às 7.277 registadas no ano anterior e às 5.664 de 2016. Já no ano anterior, a corporação fiscalizou 3.879 plantas de projectos, contra as 2.962 projectos apreciadas em 2017.

Por outro lado, chegaram à corporação 481 queixas, sugestões e reclamações, quatro das quais relacionadas com o pessoal dos Bombeiros. A maioria prendeu-se com o incumprimento das disposições do Regulamento de Segurança contra Incêndios. Quanto aos mini-armazéns, realizaram-se 37 vistorias de segurança contra incêndios envolvendo 13 mini-armazéns. De notar que durante o “Mangkhut”, os bombeiros intervieram em 623 casos.

 

Regulamento em fase de revisão

O comandante Leong Iok Sam adiantou que, tendo já apresentado pareceres sobre a revisão ao Regulamento de Segurança Contra Incêndios, acredita que o processo legislativo deverá arrancar em breve, sendo que o Corpo de Bombeiros vai passar a ter competências de punição.

Nesse sentido, os Bombeiros terão competência para punir situações de congestionamento provocadas por objectos nas saídas de emergência. Além disso, a corporação defende que, no âmbito da revisão do regulamento, deverá ser imposto aos estabelecimentos de comida o dever de instalarem equipamentos de detecção de fugas de gás.

No ano passado, foram realizadas 1.600 inspecções nos restaurantes. Recorde-se que em Julho de 2018, um erro na substituição de botijas de gás provocou uma explosão num restaurante no Bairro da Areia Preta que causou seis feridos e uma vítima mortal.

Em Novembro, o CB avançou à TRIBUNA DE MACAU que a estrutura contempla 1.589 vagas e que na altura existiam 1.309 “soldados da paz”. Além disso, são recrutados anualmente por volta de 50 bombeiros, apesar deste ano estar em cima da mesa a intenção de contratar o dobro. Até ontem, faziam parte da corporação 1.362 bombeiros mas, segundo Leong Iok Sam, o processo de recrutamento acarreta algumas dificuldades, até porque alguns bombeiros vão aposentar-se.