Os lucros líquidos do Banco Nacional Ultramarino no primeiro semestre mantiveram-se sensivelmente perto dos resultados anotados no mesmo período do ano passado, tendo descido apenas 1,3% para 225 milhões de patacas. Em sentido inverso, a margem financeira do banco cresceu 0,9% para 434 milhões de patacas, mesmo apesar da redução das taxas de juro ter tido impacto na rentabilidade dos activos do BNU

 

PEDRO MILHEIRÃO

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) registou lucros líquidos de 225,3 milhões de patacas entre Janeiro e Junho, 1,3% abaixo do valor assinalado no período homólogo de 2025. Por outro lado, no final do primeiro semestre, a margem financeira do banco situava-se em 434,2 milhões de patacas, correspondendo a um aumento de 0,9%, na mesma base comparativa, reflectindo o “crescimento do volume de negócios, apesar do impacto da redução das taxas de juro na rentabilidade dos activos”, de acordo com o BNU.

Os depósitos totais dos clientes permaneceram “estáveis”, segundo a instituição bancária, apesar de uma ligeira contracção de 0,4% para 35,3 mil milhões de patacas. O crédito líquido a clientes aumentou 6,3% para cerca de 27,8 mil milhões de patacas. Este crescimento deveu-se ao “financiamento a empresas” e à “participação em operações de crédito sindicado”, explicou o banco, o que permitiu assegurar “uma adequada diversificação do portefólio”. O BNU também referiu que o crédito malparado se manteve “em níveis reduzidos”.

Já os serviços e comissões resultaram em ganhos de 44,5 milhões de patacas, 2,3% abaixo do montante assinalado no mesmo intervalo de 2025. A margem complementar “foi impactada pela redução dos resultados de operações financeiras, reflectindo principalmente a diminuição dos ganhos cambiais e o aumento das perdas cambiais registadas pela sucursal de Hengqin”, segundo o BNU.

Os custos de estrutura aumentaram 2,4%, face ao primeiro semestre de 2025, para um total de 217,4 milhões de patacas, mesmo apesar de os encargos com pessoal terem descido 1,9%, uma vez que as despesas administrativas e as depreciações e amortizações ascenderam 7,9% e 11,2%, respectivamente. Neste contexto, o banco procurou “investir no reforço das relações com clientes, nas capacidades digitais e nos serviços transfronteiriços e em segmentos de mercado estratégicos”.

Já as perdas relacionadas com exposições de crédito e investimentos financeiros nos primeiros seis meses cifraram-se em 5,6 milhões de patacas, sendo que no mesmo período do ano passado se tinham fixado em 14,7 milhões. Para a instituição bancária, “esta evolução favorável reflecte a contínua resiliência da qualidade dos activos, bem como as reversões registadas durante o período, em linha com a abordagem prudente do Banco na gestão do risco”.

Em síntese, até Junho, “o BNU prosseguiu a implementação da sua estratégia assente no reforço das relações com clientes, tendo introduzido na sua plataforma online a possibilidade de investimento numa maior diversidade de produtos financeiros, expandido a actividade bancária transfronteiriça através da Sucursal de Hengqin e aumentado a sua presença em segmentos de mercado considerados estratégicos”, pode ler-se no comunicado.

No mesmo período, “embora tenham persistido desafios associados a um contexto de taxas de juro de mercado mais baixas, a uma maior moderação do consumo privado e ao aumento da concorrência”, a economia da RAEM “continuou a beneficiar da recuperação da actividade turística”. Neste contexto, o BNU manteve “o foco no mercado local” e potenciou oportunidades relativas ao desenvolvimento da Grande Baía.