O Grupo Malo Clinic só terá de pagar, no prazo de 10 anos, 38% da dívida judicialmente reconhecida. No âmbito do acordo de perdão da dívida, o BNU perderá mais de seis milhões de euros, ou seja quase 55 milhões de patacas

 

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) só deverá recuperar 690 mil euros (6,1 milhões de patacas ao câmbio actual) do Grupo Malo Clinic, e em 10 anos, perdendo assim 6,2 milhões de euros (quase 55 milhões de patacas), segundo avançou o Jornal de Notícias (JN) na edição de sexta-feira. Além do BNU, o grupo Caixa Geral de Depósitos, pertencente ao Estado, perderá 182 mil euros de uma dívida de 202 mil à Caixa Imobiliário.

Estes valores inserem-se no âmbito do acordo com os 88 credores da Malo Clinic, já homologado pelo tribunal, e que prevê o pagamento ao longo de 10 anos de apenas 27 milhões de euros da dívida judicialmente reconhecida (70,8 milhões). Em termos globais, o Estado português perderá cerca de 30 milhões de euros com o acordo atingido com a Malo Clinic, que está em Processo Especial de Revitalização.

Por sua vez, o Novo Banco, que era o maior credor, com 56 milhões de euros, recuperará a prazo 34,5 milhões, perdendo 21,5 milhões.

Segundo o JN, nos dois primeiros anos, Paulo Malo, fundador das clínicas, não terá de liquidar qualquer montante a entidades como o Novo Banco, BNU ou à Segurança Social. Para além da redução de dívida, o grupo fundado por Paulo Malo, que foi adquirido pelo fundo “Atena Equity Partners”, deverá encerrar algumas clínicas, em Portugal e nos 25 países onde está presente.

Recorde-se que em Janeiro de 2018, a TRIBUNA DE MACAU adiantou que as instalações do Hospital de Dia TaivexMalo no Venetian tinham sido seladas por ordem do Tribunal e a pedido do BNU. A licença da “TaivexMalo” foi suspensa por 180 dias, entre 23 de Novembro de 2017 e 21 de Maio de 2018, por decisão dos Serviços de Saúde, que encontraram provas de realização de tratamentos ilegais na área de oncologia e procriação medicamente assistida. Para além disso, havia indícios de tráfico e contrabando de medicamentos oncológicos. Os SSM aplicaram multas a quatro médicos e um enfermeiro, e outra à clínica.