Na tradicional mensagem de Natal, o Bispo Stephen Lee atribuiu especial importância aos jovens e à reconciliação da família, exortando os pais a evitar a obsessão excessiva e a ter em conta as “necessidades espirituais” dos filhos. Tal poderá querer dizer que se tem de ensinar as crianças a discernir e ter a capacidade de os ajudar a crescer em liberdade, maturidade, disciplina e autonomia real. O líder da Diocese de Macau apelou ainda à aceitação dos idosos e partilha das suas histórias às gerações mais novas, porque a “memória é necessária ao crescimento”

 

Liane Ferreira

 

A promoção da renovação da família e a luta para responder às preocupações, problemas e dores da juventude são alguns dos objectivos do Bispo Stephen Lee para a Diocese de Macau no ano que se avizinha. Recorrendo a palavras e textos do Papa Francisco, como

Amoris laetitia (“Alegria do Amor”), o líder da Igreja Católica local admitiu que “como adultos é difícil ouvir pacientemente os jovens, atentar nas suas preocupações e exigências”.

“Evitar a obsessão excessiva significa ouvir as necessidades espirituais das crianças, o que também pode ensinar as crianças a discernir”, afirmou na mensagem de Natal, citando o Papa Francisco. “Se os pais são obcecados em saber onde os filhos estão e controlar todos os seus movimentos, procuram apenas dominar o espaço. Mas isto não é maneira de educar, fortalecer e preparar os seus filhos para enfrentar dificuldades”, disse.

O Bispo Stephen Lee sustenta que “o mais importante é a capacidade afectiva de os ajudar a crescer em liberdade, maturidade, disciplina e autonomia real”. No seu entendimento, apenas desta maneira as crianças irão possuir as capacidades necessárias para se defender, agir de forma inteligente e prudente quando encontram dificuldades.

“A verdadeira questão não é onde as nossas crianças estão fisicamente, ou com quem se encontram em determinado momento, mas sim onde estão existencialmente, quais são as suas convicções, objectivos, desejos e sonhos. Pergunto aos pais: procuramos compreender onde é que as nossas crianças estão realmente na sua jornada? Sabemos realmente onde está a sua alma? E acima de tudo, queremos saber?”, indagou.

Dirigindo-se aos jovens, o Bispo sublinhou que um Mundo melhor pode ser construído com o resultado dos seus esforços, desejos de mudança e generosidade. No entanto, para mudar o Mundo tem de se começar no seio da família e, neste ponto, entende que cabe tanto aos jovens estarem atentos aos avós e à felicidade de outros membros da família, como aos pais “investir tempo” nas crianças apesar dos horários de trabalho pesados. Também nesse capítulo frisa que dar bons exemplos ajuda os jovens a mudarem os seus valores para comportamentos estáveis e sólidos.

Na mensagem de Natal, o Bispo Stephen Lee recorda ainda que já em 2016 o Papado dava destaque à protecção da integridade da família, trabalhando-se na reconciliação. Por isso, apelou à aceitação dos idosos e partilha das suas histórias com as gerações mais novas, porque as fazem sentir ligadas à família, aos vizinhos e ao seu país.

“A falta de memória histórica é uma falha séria da nossa sociedade … conhecer e avaliar eventos do passado é a única maneira de construir um futuro com significado. A memória é necessária ao crescimento”, destacou, acrescentando: “A família que tem memória tem futuro”.

Para 2018, o Bispo apelou a todos os grupos pastorais e instituições da Diocese no sentido de trabalharem em conjunto em direcção a uma “Cultura de Misericórdia: reconciliação e comunhão dos jovens e da família”. Além disso, também convidou os jovens e respectivas famílias a organizarem actividades de discussão sobre o tema.