Os bens de luxo do antigo Secretário Ao Man Long foram levados a leilão no mês passado, mas a maioria ficou por vender, noticiou a Rádio Macau

 

Onze anos depois de serem apreendidos e declarados a favor da RAEM, os bens de luxo de Ao Man Long, antigo Secretário para os Transportes e Obras Públicas, começaram a ser vendidos em hasta pública. A notícia foi ontem avançada pela Rádio Macau, adiantando ainda que, do valor base de 2,8 milhões de patacas, o leilão gerou apenas uma receita de 640 mil.

O primeiro leilão foi realizado pela Direcção dos Serviços de Finanças, e incluía vinhos raros, relógios, diamantes, peças de joalharia. No entanto, o que gerou mais interesse junto dos licitadores foi uma planta medicinal conhecida como o “viagra dos Himalaias”, visto ser recomendada na medicina tradicional chinesa para o tratamento da disfunção eréctil e dezenas de outras doenças. Com uma base de licitação de 138 mil patacas, os quatro quilos e 200 gramas desta planta foram arrematados por mais de 400 mil patacas.

Por vender ficou parte da colecção de vinhos e aguardente do antigo Secretário, que durante o julgamento foi avaliada em 3,8 milhões de patacas. O lote colocado em leilão abrangia 32 garrafas de “Petrus Pomerol” de anos como 1947, 1961 ou 1982. Outras marcas, como “Château Margaux”, “Latour” e “Le Pin”, estavam representadas num total de 45 garrafas.

De acordo com especialistas contactados pela Rádio Macau, este conjunto de vinhos está actualmente avaliado em quase 600 mil patacas, mas em hasta pública foram vendidas apenas oito, por 95 mil patacas. Os relógios e peças de ourivesaria renderam 98 mil patacas, embora grande parte não tenha sido arrematada. Entre os objectos levados a hasta pública encontrava-se um relógio Girard Perregaux com diamantes, avaliado em mais de um milhão de patacas.

De acordo com informações facultadas pelo Tribunal Judicial de Base à Rádio Macau, outros bens poderão vir a ser leiloados pelas autoridades. Em 2007, depois de concluída a primeira fase da investigação do caso de corrupção, para além dos valores monetários foram também apreendidas jóias no valor de quatro milhões de patacas, entre as quais três relógios com um valor de 2,4 milhões de patacas, cerca de 300 garrafas de vinho a valer quatro milhões de patacas, e ainda especialidades chinesas como barbatanas de tubarão e ninhos de andorinha, avaliados em cerca de 700 mil patacas.