A possibilidade de um processo litigioso entre a Yat Yuen e o IACM não prejudicará o processo de adopção dos galgos, garantiu ontem José Tavares à TRIBUNA DE MACAU. A ANIMA recebeu o aval do Instituto para regressar ao Canídromo, porque o IACM e a Yat Yuen concordam que as adopções internacionais são a melhor opção para os animais. O IACM já enviou a nota sancionatória à Yat Yuen, mas o presidente do organismo escusou-se a revelar o montante. A empresa tem agora o direito de contestar a sanção

 

Liane Ferreira e Viviana Chan

 

Depois de, no sábado, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) ter assumido os cuidados dos galgos e avançado que iria multar a Companhia de Corridas de Galgos (Yat Yuen), o presidente do organismo garantiu ontem que a adopção dos animais não será afectada por uma possível batalha judicial entre as partes.

“A Yat Yuen já recebeu a notificação [de multa] e os cães estão ‘quase praticamente’ na posse do IACM, daí que tivemos uma conversa com Albano Martins porque para nós a melhor saída para os cães é a adopção internacional”, explicou José Tavares à TRIBUNA DE MACAU, acrescentando que “realmente Macau não tem meios para acomodar os cães e de cuidar deles devidamente. Há falta de pessoal, médico e funcionários, e medicamentos também”.

Assim, o presidente do IACM explicou que “achamos por bem dar continuidade e reforço à adopção internacional porque respeitamos o interesse dos cães”. “Houve uma consonância com a Yat Yuen e eles também se comprometeram em continuar a ajudar com os custos, o que é muito positivo”, frisou José Tavares.

Segundo adiantou, a notificação de decisão sancionatória foi enviada na segunda-feira, restando agora aguardar pela resposta da companhia. “Estamos numa fase preliminar. Eles podem pagar ou não a multa, só notificámos que há uma sanção para pagarem”, disse.

Questionado sobre o valor da multa, referiu: “Não é nesta fase [que sabem quanto é que têm de pagar], é numa fase posterior. Fizemos uma acusação e eles têm um prazo de reclamação”.

No entanto, “o processo de adopção dos cães não está em causa”. “Falámos com os juristas para não haver impasse nas adopções, eles deram resposta positiva e os cães não ficam cá entalados pela batalha judicial”, garantiu.

Numa mensagem publicada na sua página pessoal no Facebook, Albano Martins, presidente da Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA), afirmou que no encontro com José Tavares as duas partes chegaram a um “consenso sobre a difícil situação que enfrentam”. Albano Martins adiantou também ter tido um encontro com a Yat Yuen onde foi discutida a possibilidade de um processo litigioso em tribunal, mas que tanto o Instituto como a Companhia “aceitaram não envolver os galgos nesse possível processo”.

“O IACM e Yat Yuen abdicaram de trazer os animais para uma problema judicial. A multa é uma questão entre eles e os animais não são envolvidos na disputa”, declarou o presidente da ANIMA à TRIBUNA DE MACAU, sublinhando que tal decisão é independente da natureza do conflito legal.

Para o responsável, “isto são boas notícias, porque significa que os galgos estarão livres para serem adoptados, independentemente de quem ganhar em tribunal”.

Além disso, salientou que a ANIMA voltou a ter acesso ao Canídromo, podendo continuar a ajudar nas adopções e no processo de organização. Assim, o IACM gere o Canídromo, a ANIMA trata das adopções e a Yat Yuen compromete-se a continuar a pagar pelas despesas de viagem para a Europa e EUA.

Na mesma mensagem, o presidente da associação defensora dos animais agradeceu ainda ao novo “staff” da Yat Yuen que “apesar da possibilidade de uma enorme multa, continua comprometido em ajudar os galgos ao pagar essas contas enormes”.

Segundo a Lei de Protecção dos Animais, o  abandono é sancionado com multa de 20 mil a 100 mil patacas. Tendo em conta os mais de 500 galgos que foram deixados inicialmente no Canídromo, a multa total poderá ser equivalente a mais de 50 milhões de patacas, pois ainda tem de ser considerada a recuperação de despesas de cuidados dos animais.

As afirmações de José Tavares contrariam uma resposta do organismo a Sulu Sou, onde era referido que o programa da adopção só poderia ser retomado quando fosse concluído o processo de sanção, sendo que também ainda teriam de ser avaliadas as condições desse plano.

Em relação à permanência na presidência da ANIMA, Albano Martins afirmou a este jornal que enviou um email aos membros da associação a explicar  a situação dos galgos e a dizer que “seria bom começarem a pensar na sua substituição”. A reunião da associação já está marcada e nessa altura o tema será discutido.