Os bancos de Macau rejeitaram atribuir empréstimos aos compradores do lote “T+T1”, projecto “irmão” do “Pearl Horizon”. Os compradores mostram-se desiludidos com a decisão e dizem-se inocentes na onda de consequências da declaração de caducidade da concessão dos terrenos do grupo Polytec. Segundo alega o sector bancário, a medida foi tomada tendo em consideração a gestão de riscos, já que o lote em causa ainda não tem concessão definitiva. Para além disso, garante que os compradores foram informados das condições

 

Viviana Chan

 

Embora o Governo tenha aprovado a licença de utilização para o projecto do lote “T+T1”, empreendimento “irmão” do “Pearl Horizon”, localizado na Rua Central da Areia Preta, os bancos de Macau estão de acordo sobre a recusa de empréstimos aos compradores. Porém, o construtor, que já recebeu os montantes correspondentes aos pagamentos de entrada, pede o resto do dinheiro para deixar os compradores entrarem nas fracções.

O Grupo Polytec informou os proprietários de que devem tratar dos documentos de entrega das fracções no prazo de três dias, entre 1 a 3 de Novembro. Nessa altura, os compradores terão de pagar o resto do preço das habitações, mas os bancos dizem que não é possível avançar com os empréstimos porque a concessão do lote ainda não é definitiva. Resta aos compradores apresentarem o dinheiro por si próprios se quiserem entrar nas casas.

De acordo com o jornal “Ou Mun”, um grupo de proprietários que fez contratos de compra de fracções do bloco II do condomínio, em 2013, escolheu o pagamento imediato da casa e garante que o pedido de empréstimo foi aprovado. Porém, agora o banco diz que não vai dar pagar o resto do empréstimo.

Os compradores sentem-se desiludidos com a recusa dos empréstimos bancários, e insistem que são inocentes na polémica de declaração de caducidade de terrenos concedidos ao Grupo Polytec.

Um representante do sector bancário não identificado pela imprensa de língua chinesa explicou que se trata de “um caso muito especial”, porque a recusa na atribuição dos empréstimos está associada à expiração da concessão do lote. Como o Governo ainda não anunciou a concessão definitiva e, tendo em consideração a lição do “Pearl Horizon”, os bancos consideram que há muitos factores incertos em relação ao condomínio e devem tomar esta medida provisória.

Para além disso, entendendo que o registo de transacção imobiliária no Governo tem vícios, os bancos preferem atribuir os empréstimos após a concessão definitiva. O mesmo representante disse que os bancos apenas esperam por essa concessão quando todas as obras estiverem concluídas.

A mesma fonte asseverou que os bancos avisaram os compradores desta situação quando pediram os empréstimos.

A Direcção dos Serviços de Solos, Obras Púbicas e Transporte (DSSOPT) emitiu oficialmente a licença de utilização para o projecto de habitação do lote “T+T1”, pertencente ao Grupo Polytec no início de Julho deste, um dia antes de expirar o prazo de aproveitamento do lote.

Segundo dados da Direcção dos Serviços de Finanças, o empreendimento de seis torres da Polytec disponibiliza 2.747 fracções habitacionais e 1.022 lugares para estacionamento de viaturas ligeiras. Antes da entrada da lei que regulariza as pré-vendas imobiliárias, o construtor já tinha vendido duas torres e todas as fracções estavam esgotadas. Devido ao caso “Pearl Horizon”, as vendas do lote “T+T1” registaram uma descida significativa.