Elsie Ao Ieong U salientou ontem que há trabalhos em andamento para encurtar o tempo de espera no hospital público. Por outro lado, apontou para um plano de combinação entre recursos privados e públicos na prestação de serviços psicológicos

 

A Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura garantiu ontem que as autoridades tentarão o mais possível encurtar o tempo de espera no hospital público, através do uso de megadados para distribuir o pessoal, fruto da experiência obtida durante a pandemia. Por exemplo, se o tempo de espera na urgência ultrapassar 120 minutos, o director dos Serviços de Saúde (SSM) receberá um alarme para tomar medidas. Esse modelo de distribuição de recursos é aplicável também nas enfermarias e consultas externas de especialidade.

Elsie Ao Ieong U referiu que, apesar do tempo médio de espera ser de 3,6 semanas nas consultas de especialidade, mais de 50% dos pacientes foram atendidos em uma ou duas semanas. Neste aspecto, assegurou um “acompanhamento imediato” de situações urgentes, como pacientes com cancro avançado e doentes psicológicos graves.

Segundo explicou, o tempo de espera mais longo acontece na oftalmologia e ortopedia, com os pacientes a terem de aguardar 10 semanas e entre 10 e 12 semanas, respectivamente. O longo tempo de espera na oftalmologia está associado ao envelhecimento da população, observou.

Além disso, em 2024, será criado um sistema de avaliação da qualidade de gestão das doenças crónicas. Por outro lado, as empresas serão encorajadas a proporcionar aos seus trabalhadores um ambiente de trabalho saudável, e será incentivada a utilização da medicina tradicional chinesa nos cuidados de saúde preventivos.

Em relação à saúde mental, a Secretária destacou a implementação do mecanismo de prevenção, identificação e apoio aos grupos de alto risco. Será reforçada ainda a participação das instituições médicas comunitárias, bem como providenciadas mais acções e formação a pais, professores e equipas de aconselhamento.

O deputado Ron Lam alertou para a redução do apoio financeiro atribuído a duas associações que prestam serviços psicológicos. Elsie Ao Ieong U retorquiu que, numa próxima fase, “espera combinar serviços de garantia e de tratamento da saúde psicológica prestados por instituições privadas com a comunidade e com centros de saúde”, por forma a reforçar essa vertente.

Vários deputados pediram a credenciação profissional dos conselheiros psicológicos. Todavia, a Secretária salientou que os conselheiros escolares deste género incluem assistentes sociais, alguns dos quais não frequentaram cursos de aconselhamento psicológico. Alertando que a credenciação poderá resultar na saída de muitos conselheiros não qualificados, defendeu que “a não credenciação não significa que esta profissão não seja boa ou não tenha bom potencial de desenvolvimento”.

Sobre a “big health”, disse que irá promover os trabalhos legislativos do regime de supervisão e administração de dispositivos médicos de pequena dimensão e estudar a eventual criação de uma nova categoria de instituições médicas classificadas entre hospital e clínicas. A governante aproveitou ainda para exortar as instituições médicas subsidiadas com condições para aumentarem os salários no próximo ano.

No que diz respeito ao Hospital das Ilhas, adiantou que ainda este ano serão contratadas 197 pessoas, e as restantes vagas serão preenchidas gradualmente no início de 2024. Cinco médicos especialistas estão a ser formados no “Peking Union Medical College Hospital”. Além disso, serão realizados exame e formação para os primeiros 30 médicos de internamento.

Segundo a governante, já foram contratados 90 clínicos gerais, enfermeiros e farmacêuticos. No final deste mês, serão ainda recrutados 50 trabalhadores para as áreas dos assuntos jurídicos e da administração médica.

 

Mais vagas nos lares para idosos

Por outro lado, Elsie Ao Ieong U revelou que a Residência para Idosos já atraiu 1.200 candidaturas. Em 2024, as autoridades irão empenhar-se em acompanhar os trabalhos relacionados com as candidaturas e proceder à devida apreciação.

Para além de lançar 200 novas vagas nos lares para idosos, o Governo planeia criar 45 vagas de serviços de cuidados especiais diurnos. Além disso, será estabelecido um centro de serviços integrados para deficientes, com 225 vagas de reabilitação.

Sobre o subsídio a cuidadores, a Secretária reconheceu que o valor não é muito elevado, mas representa um apoio extra. Numa próxima etapa, as autoridades vão trabalhar na prestação de apoio emocional, psicológico e ao domicílio para os cuidadores. Ademais, em 2024, será avaliado o valor do risco social.

Por sua vez, as creches subsidiadas serão incentivadas a elaborar manuais de funcionamento e definir metas de desenvolvimento para reforçar a segurança das crianças.

 

Médicos portugueses contratados através de mecanismos distintos

Os oito médicos portugueses qualificados para virem trabalhar na RAEM têm dados e situações documentais distintas, sendo necessário recorrer a diferentes mecanismos para contratar esses profissionais, disse ontem o director dos Serviços de Saúde. Segundo Alvis Lo, alguns deles já são portadores do Bilhete de Identidade de Residente de Macau, pelo que terão de se sujeitar à contratação pública. “Os pedidos serão analisados caso a caso”, acrescentou.

 

Descartada Previdência Central obrigatória

O deputado Lei Chan U pediu para que a Previdência Central se torne obrigatória, porém, a ideia foi afastada pela Secretária, que defendeu não ser uma “boa altura” para avançar nesse sentido, porque a retoma económica “não está a beneficiar todos”. Afirmando que será feito, em 2024, um balanço sobre a evolução da economia nos últimos três anos, Elsie Ao Ieong U disse querer ver “uma recuperação melhor” no próximo ano, “com todas as pequenas e médias empresas a viverem numa situação de desenvolvimento satisfatória”, para que a Previdência Central obrigatória possa ser discutida.