As universidades serão espaços prioritários para o serviço de extensão da administração de vacinas contra a COVID-19, revelou ontem o coordenador do programa. Segundo dados oficiais, 85% das pessoas inoculadas até agora escolheram a vacina da Sinopharm. Por outro lado, o residente que recebeu vacinas diferentes não será inoculado com uma terceira dose. As autoridades garantiram ainda que exortaram os hotéis a reforçar as medidas de controlo, depois de um idoso ter fugido da quarentena

 

Rima Cui

 

O Governo prepara-se para promover serviços de extensão da administração de vacinas contra a COVID-19, que podem ter os jovens como alvos prioritários. Ao abrigo deste plano, o Governo pretende começar por destacar pessoal para efectuar a vacinação em universidades, adiantou ontem Tai Wa Hou, coordenador do programa de vacinação.

Segundo o mesmo responsável, as autoridades equacionam também estender este tipo de serviços a lares de idosos, mas salientou que esses espaços só serão cobertos numa fase final do plano.

Na habitual conferência de imprensa sobre a pandemia, Tai Wa Hou reiterou que, após um residente ter alterado o registo de inoculação e recebido duas doses de vacinas diferentes, o sistema de marcação já não permite mudar os registos de vacinação. Segundo disse, a alteração do registo apenas era permitida a cidadãos que tenham recebido a primeira dose fora de Macau, como aconteceu com a pessoa envolvida neste caso.

Além disso, o coordenador do programa assegurou que essa pessoa não terá de ser inoculada com uma terceira dose. Tai Wa Hou salientou que as autoridades continuarão a analisar relatórios dos estudos científicos sobre os efeitos da tomada de doses de vacinas diferentes.

Por sua vez, Leong Iek Hou, coordenadora do Núcleo de Prevenção e doenças Infecciosas e Vigilância da Doença, sublinhou que neste momento as vacinas da Sinopharm e da BioNtech revelam maior eficácia do que outros tipos. Contudo, o Governo não afasta a hipótese de importar novos tipos de vacinas, caso seja provada a sua eficácia.

Até ontem as 16h00, o sistema de vacinação contabilizou um total de 120.986 agendamentos, incluindo de 69.249 pessoas que já receberam vacinas. Entre estas, 23.501 concluíram as duas doses. Segundo Tai Wai Hou, 85% dos cidadãos inoculados escolheram a vacina da Sinopharm.

De acordo com os mesmos dados, quase 29.000 trabalhadores não residentes e mais de 24.000 estudantes do exterior efectuaram marcações para as vacinas. Desde o início da vacinação, houve 277 notificações de eventos adversos ligeiros e um grave.

 

Hotéis reforçam controlo da quarentena

Por outro lado, relativamente ao caso de um residente de 77 anos, que fugiu à quarentena na Pousada Marina Infante, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) garantiu ter instado o hotel a submeter um relatório e discutido sobre a implementação de medidas de melhoria.

Lau Fong Chi, chefe da Divisão de Relações Públicas da DST, indicou que, como o idoso escapou do hotel através do corredor contra incêndios, o organismo exigiu os hotéis que instalem todos os sistema de alarme nessa zona e que ajustem o posicionamento dos seguranças. Assim, quando saírem do posto, os guardas precisarão de encontrar outros funcionários dos hotéis para não haver interregnos na vigilância. Os Serviços de Alfândega também prometeram reforçar o pessoal de patrulha nas imediações dos hotéis.

Questionados várias vezes por jornalistas, os representantes do Governo afirmaram que ainda não têm informações sobre o percurso do idoso após ter saído do hotel. Sabem apenas que foi encontrado no lobby de um prédio na Rua do Campo no mesmo dia da fuga. Além disso, nesse dia, o teste de ácido nucleico do idoso deu um resultado negativo.

Segundo a chefe da DST, o idoso pretendia entrar em Hong Kong, mas depois de ter chegado à fronteira da RAEHK através da Ponte do Delta e ter sido informado sobre a exigência de quarentena na região vizinha, resolveu voltar para Macau. O indivíduo justificou a fuga à quarentena em Macau por considerar que não tinha entrado fisicamente em Hong Kong.

Contudo, Leong Iek Hou defendeu a necessidade de sujeitar o idoso à quarentena, porque permaneceu na fronteira onde contactou com pessoas de Hong Kong. Além disso, voltou ao território num “shuttle” onde também seguiam pessoas provenientes da RAEHK. A médica frisou que, inicialmente, o idoso garantiu que iria aceitar a quarentena.

Por outro lado, o Sheraton vai deixar de ser hotel de observação médica a partir da próxima segunda-feira. Lau Fong Chi referiu, por outro lado, que o número de visitantes subiu 3,64% na última semana em relação à anterior.