Nem o meio ambiente, nem o ecossistema do Delta do rio das Pérolas serão afectados pela Ponte do Delta, reiteraram as autoridades chinesas. Além disso, acreditam que a mega infra estrutura será rentável dentro de 30 anos
A megaponte que liga as cidades de Zhuhai, Macau e Hong Kong é um dos projectos de infra-estruturas mais ambiciosos dos últimos tempos, algo que não evitou críticas sobre o seu alto custo e impacto ambiental, comentários que, no entanto, voltaram a ser refutados pelos seus responsáveis.
Durante uma visita à infra-estrutura, organizada para meios de comunicação internacionais, gestores da ponte asseveraram que, desde o lançamento dos primeiros estudos, as autoridades respeitaram “estritamente” os “protocolos de conservação” e têm desenvolvido análises diárias sobre o habitat do golfinho cor-de-rosa de Hong Kong – também conhecido como golfinho branco chinês. Esta é uma espécie classificada como “quase ameaçada” pela União Internacional para a Conservação da Natureza. No início de 2017, um estudo sobre as populações de mamíferos marítimos realizado pelo Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação de Hong Kong revelou que esta espécie tinha praticamente desaparecido das ilhas do sudoeste.
No entanto, o vice-director da Autoridade da Ponte, Yu Lie, salientou que foram tomadas “muitas medidas” para “proteger” os golfinhos como a limitação do tempo de trabalho e a restrição do vazamento de lixo nas águas do rio. “Os resultados mostram que não há mudanças no habitat nem no número de golfinhos, e não causámos nenhuma morte directa nem lesões”, destacou o mesmo responsável, citado pela agência EFE.
Por outro lado, durante a visita, os responsáveis da Autoridade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau mostraram-se prudentes, mas convencidos do sucesso do projecto. Boa parte das críticas dirigidas ao empreendimento prende-se com o custo final, estimado em cerca de 117 mil milhões de yuans, o que representa cerca de mais um quarto do que tinha sido orçado inicialmente.
“É a primeira vez que um projecto deste tamanho é realizado. Passaram-se 15 anos desde que foram feitos os primeiros estudos, em 2003. Muitos elementos e condições mudaram, como o preço dos materiais e dos recursos humanos”, explicou o director do departamento de Gestão do Projecto da Autoridade, Li Jiang.
Sobre a viabilidade económica a longo prazo, o vice-director da Autoridade da Ponte ressalvou que é “cedo demais” para medir o sucesso do projecto, mas afirmou ter “toda a confiança” de que em 30 anos terá sido recuperado o investimento. “Para diversificar as fontes de receita, podemos desenvolver projectos turísticos nas ilhas artificiais e oferecer serviços de consultadoria a outros projectos similares”, acrescentou Yu Lie.
Apesar do “número dois” da companhia não ter revelado o número médio de veículos que circula sobre a ponte, fez questão de responder aos que consideram que o tráfego não alcançará os cálculos previstos de 29.100 veículos por dia até 2030. “O nosso dia mais bem-sucedido até agora registou 100 mil passageiros, a maioria em autocarros”, destacou.
Por enquanto, os cidadãos chineses não parecem muito afectados pelas polémicas, e seguindo os alardes de patriotismo que rodeiam o 40º aniversário do início das políticas de abertura de Pequim, consideram a ponte um orgulho para o país e um símbolo dos avanços da China.
JTM com agências internacionais



