Cursos de formação da DSEJ levaram cerca de uma centena de docentes a mudar para o ensino primário por forma a dar resposta à falta de recursos humanos. Por outro lado, o organismo considera que a “insuficiência de vagas escolares tornou-se grave” e obriga a um ajustamento do número de alunos por turma

 

No ano passado, um terço dos docentes aos quais foram disponibilizados cursos de formação pedagógica do ensino primário optou por mudar para leccionar esse nível de ensino. Os dados foram fornecidos pelo director dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), Lou Pak Sang, em resposta a uma interpelação escrita apresentada pela deputada Chan Hong.

“Em 2017, a DSEJ subsidiou várias universidades para disponibilizarem cursos de formação pedagógica do ensino primário, destinados a cerca de 300 docentes activos. Cerca de 100 docentes que concluíram o curso de formação pedagógica do ensino primário mudaram para exercer funções neste nível de ensino”, informou Lou Pak Sang, acrescentando que essa mudança verificou-se “no sentido de disponibilizar recursos humanos suficientes para o sistema educativo”.

Apesar disso, o organismo explicou que o rácio de professores por turma dos ensinos infantil, primário e secundário foi optimizado, tendo passado de, respectivamente, 1:1.3, 1:1.5 e 1:1.9 no início do estabelecimento da RAEM para 1:2.0, 1:2.2 e 1:2.7 no ano lectivo de 2017/2018. Na perspectiva da DSEJ, trata-se de uma situação que possibilita aos docentes “terem mais tempo para a aprendizagem e aconselhamento aos alunos, de modo a reforçar ainda mais a qualidade educativa”. Esta política foi acompanhada pela diminuição dos tempos lectivos semanais dos docentes de diferentes níveis de ensino.

No entanto, se os professores dispõem de mais tempo para os estudantes, estes também são cada vez em maior número. “Devido ao aumento acelerado da taxa de natalidade, a situação de insuficiência de vagas escolares tornou-se grave, pelo que o aumento das mesmas é inadiável”, admitiu a DSEJ.

Para resolver a situação a curto prazo, a entidade recomenda que as escolas de escolaridade gratuita ajustem o número de alunos por turma para se aproximar de 35, o número máximo, “levando ao aumento no número de vagas com base nas turmas existentes”.

A resolução da falta de vagas vai passar também pelo planeamento urbanístico. Para além do aproveitamento de terrenos para fins pedagógicos na Zona A, a DSEJ prevê ainda “tornar os terrenos desaproveitados em terrenos para fins pedagógicos”.

A deputada Chan Hong questionou ainda as medidas das autoridades para resolverem as situações em que as crianças têm de ir à escola noutras zonas. Sobre esta matéria, a DSEJ respondeu que vai “assegurar que as vagas podem satisfazer as solicitações dos cidadãos, tanto quanto possível, oportunidades de acesso a escolas localizadas mais próximo de suas casas, em especial aos alunos que frequentem os ensinos infantil e primário”.

 

S.F.