Os utilizadores dos serviços de autocarros vão passar a pagar seis patacas por cada viagem em todas as carreiras, já a partir de sábado, independentemente dos passageiros serem locais, TNR ou turistas. Quem possuir cartão porta-moedas electrónico terá de pagar três patacas nas carreiras normais e quatro nas rápidas. Segundo o director da DSAT, com o ajustamento das tarifas, o Governo vai poupar 150 milhões por ano. Sobre os novos contratos, disse manter uma atitude aberta sobre o número de companhias no futuro e que vai atribuir novas carreiras à transportadora com menos acidentes, para incentivar o reforço da segurança na estrada
Rima Cui
A partir do próximo sábado, 21 de Abril, o tarifário dos serviços de autocarros públicos vai sofrer um aumento, igual para todos os utilizadores, sejam locais, trabalhadores não residentes (TNR) ou turistas.
Com a alteração, um bilhete completo passa de 3,2 para seis patacas, sendo que o pagamento com cartão porta-moedas electrónico normal (“Macau Pass”) aumenta de duas para três patacas. O preço nas carreiras rápidas será de quatro patacas.
Por enquanto, o Governo não pretende criar tabelas de preços diferenciadas para locais e não residentes, porque, tendo em conta as opiniões da sociedade, um ajuste uniforme corresponde ao interesse da maioria da população e será mais fácil em termos de operacionalidade, justificou ontem o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego.
“Os TNR também contribuem para a sociedade e os autocarros públicos são o meio de transporte de mais baixo custo para eles. Se separássemos os TNR dos cidadãos locais, teríamos custos elevados no procedimento administrativo”, referiu Lam Hin San, frisando que o ajustamento é “relativamente brando”.
Além disso, os titulares de cartão de estudante vão pagar metade da tarifa e os portadores de cartão de idoso ou de deficiência ficarão isentos.
Apesar de ter sido sugerida em 2017 a implementação de preços flexíveis consoante horas diferentes para alunos e idosos, Lam Hin San garantiu que a solução de apenas distinguir a cobrança entre carreiras normais e rápidas é mais fácil de aplicar e, ao mesmo tempo, mais conveniente para idosos e deficientes. Além disso, vai ao encontro da intenção de apoiar plenamente a deslocação das pessoas de terceira idade.
Actualmente, o Governo paga mil milhões de patacas por ano às três companhias de autocarros, mas com o ajustamento do tarifário, esta despesa diminuirá em 150 milhões por ano, ou mais de 10 milhões por mês.
Para o director da DSAT, o acréscimo no preço das viagens não reflecte nenhum tipo de pressão financeira no organismo. Simplesmente “é a altura mais adequada e é a melhor solução” com base nos custos operacionais dos autocarros, o retorno razoável, a acessibilidade da população e o índice de preços ao consumidor.
A DSAT cancelou o passe mensal e ajustou o prazo para os benefícios de correspondência. Assim, o período para a deslocação de uma ou duas zonas será de 45 minutos e de 60 minutos para três zonas.
Aumento não convence
Ainda assim, o ajustamento “brando” não convence Lam U Tou, que classifica a alteração como “brutal”. Salientando que a proposta original do Governo “não tinha lógica nenhuma”, disse à TRIBUNA DE MACAU embora essas ideias tenham sido retiradas, não foi dada ao pública uma explicação concreta, “o que reflecte obviamente que a alteração não é científica nem tem fundamentos”.
O presidente da Associação Sinergia de Macau criticou sobretudo a cobrança a dobrar nas carreiras rápidas. “O Executivo quer resolver o problema do alto fluxo de passageiros nas carreiras rápidas, apenas através da subida dos preços, isso é ridículo. A solução só passa pelo lançamento de carreiras rápidas sem paragens. Uma carreira rápida tem agora 15 paragens, como pode circular rapidamente?”, sublinhou.
Na sua opinião, os cidadãos não se preocupam muito com a subida, mas não estão satisfeitos, porque a atitude da DSAT é problemática e “o remédio dado nunca curou as doenças”.
“De facto, as três empresas têm tarifas diferentes, sendo que chega a existir até 30% de diferença entre duas carreiras de companhias distintas”, salientou, apontando que por esta razão, o Governo atribui verbas diferentes às três. “Acredito que este ajustamento sirva para compensar a companhia que cobra demasiado, e a conta vai ser paga pelos cidadãos. Existe um ciclo vicioso que o Governo quer que continue”, contestou.
Novos contratos focados na flexibilidade nas horas de ponta
Em relação à renovação dos contratos das companhias de autocarros, as partes estão na fase final de negociações, incluindo a revisão das vantagens e insuficiências. Um dos conteúdos em destaque é a mobilização flexível da frequência das carreiras nas horas de ponta, o que requer muitos recursos financeiros e está associado às capacidades das empresas de aumentarem o número de autocarros e condutores, admitiu Lam Hin San. No entanto, o aumento da frequência é um objectivo fixo.
Nesse sentido, desmentiu rumores da existência de um alegado plano da DSAT para cortar a frequência de várias carreiras para poupar verbas, que seriam usadas para adquirir novos tipos de autocarros. “Tenho ignorado boatos deste género. Garanto que a frequência das carreiras nunca será cortada”, frisou.
Tendo em conta o aumento de acidentes rodoviários envolvendo autocarros públicos, a DSAT pretende fixar nos contratos punições rigorosas à companhia com mais acidentes. “Aquela que estiver envolvida em muitos acidentes vai ter menos oportunidade de operar novas carreiras, face às empresas com bom comportamento. Quando lançarmos uma nova carreira, daremos prioridade à mais segura”.
Entre 1 de Janeiro e 1 de Abril deste ano, as três companhias despediram 36 condutores, número superior aos 32 dispensados em todo o ano de 2017.
Mesmo assim, o director acredita que o despedimento não deixará as transportadoras com problemas de mão-de-obra. “Actualmente, existem 1.300 motoristas e 900 autocarros, ou seja, cerca de 1,5 condutores para um autocarro, sendo que a média mundial é de 1,1 motoristas por veículo”, indicou.
Para reforçar a segurança dos autocarros, as concessionários de transporte público vão instalar, em Maio, equipamentos de alerta para os condutores, em caso de irregularidades na condução, e que também servem para armazenar os dados da condução.
Quanto ao número das futuras concessionárias e à possibilidade da fusão de duas delas numa só empresa, Lam Hin San sublinhou que as companhias vão aproveitar os recursos da melhor forma e a DSAT mantém uma posição aberta sobre a matéria.
No ano passado, registaram-se 120 milhões de passageiros de autocarros em Macau, prevendo-se para este anos um aumento de 4%, rondando os nove a 10 milhões utilizadores.
Transmac vai supervisionar condutores em tempo real
No seguimento de mais um acidente fatal de um cidadão atropelado na passadeira por um autocarro público, Lam Hin San referiu que o condutor da Transmac em causa está suspenso do trabalho. O homem, de 59 anos de idade e com 27 de experiência, trabalha diariamente nove horas e meia, não estando a fazer horas extras quando ocorreu o acidente.
Lei Kai Kin, vice-gerente da Transmac, assegurou que irá instalar um sistema de monitorização em todos os autocarros da companhia e aperfeiçoar o centro de supervisão para controlar a segurança nos autocarros em tempo real. Além disso, vai avaliar a condução segura dos motoristas, através de notas. Segundo o responsável, em Março, a Transmac inspeccionou 4.000 autocarros.



