Alexandre Lui tem descendência de Hong Kong, mas nasceu no Brasil e estudou Tradução e Interpretação de Português-Chinês no Instituto Politécnico de Macau. Agora, está novamente em Hong Kong, onde dá a conhecer e ensina a língua de Camões. Notando que existe um forte interesse, conta com mais de 150 estudantes desde Junho de 2016, quando arrancou a solo com este projecto educativo, que serve também para mostrar que “Português não é Espanhol”
Liane Ferreira
Filho de pais de Hong Kong, Alexandre Liu nasceu em São Paulo, no Brasil, e depois de regressar à terra natal dos progenitores, não deixou o Português para trás. Aliás, tornou-se numa aposta de carreira. Depois de acabar o curso de Tradução e Interpretação de Português-Chinês no Instituto Politécnico de Macau criou um curso de lazer de Português em Hong Kong. Foi assim que começou o seu projecto educativo.
“Embora Hong Kong e Macau sejam próximas, tinha pena que quase ninguém em Hong Kong conhecesse a Língua Portuguesa, que já foi uma língua internacional nos séculos XVI e existe na Ásia, especialmente em Macau, onde foi centro de comércio da região do sul da China por mais de três séculos”, começa por contar ao jornal TRIBUNA DE MACAU.
Devido ao seu background, como chinês nascido no Brasil com conhecimento de Português, decidiu iniciar o curso de lazer para que as pessoas em Hong Kong tivessem conhecimentos básicos sobre Português.

“Sei que existem institutos ou aulas privadas individuais de Língua Portuguesa em Hong Kong, mas usando Cantonês como meio de instrução. Até este momento, a minha escola é única em Hong Kong”, afirmou.
Segundo explica, “o objectivo do curso era apenas dar um conhecimento da língua e deixar claro que Português não é Espanhol, uma confusão que as pessoas daqui têm”.
“Mas, depois de ter iniciado este curso, descobri que em Hong Kong há muitas famílias que querem ou estão a planear emigrar para Portugal e precisam de aprender Português. Outras pessoas, são de Macau e vivem em Hong Kong (mas não são de famílias portuguesas), que possuem passaporte português e ainda não falam a língua mas planeiam viver em Portugal”, declarou.
Neste momento, o projecto educativo não tem um local fixo, estando a arrendar sala de aulas, uma em Kowloon, na Avenida Príncipe Eduardo, e outra em Wanchai, na Ilha de Hong Kong. “Planeio ter salas em novos sítios, na parte dos Novos Territórios”, disse.
Desde o primeiro curso iniciado em Junho de 2016, que contou logo à partida com 15 estudantes, até hoje já se contam mais de 150 estudantes. “Nunca pensei que haveria tantas pessoas interessadas em aprender Português em Hong Kong”, confessou.
O curso tem 12 aulas, de hora e meia cada. Uma turma é composta por 10 alunos.
Os pais de Alexandre Lui emigraram para o Brasil na década de 70 e foi em São Paulo que se estabeleceram e tiveram três filhos, incluindo duas meninas. “Vivemos lá 12 anos, regressámos a Hong Kong em 1989 e nunca mais voltámos. Estudei e trabalhei em Hong Kong. Também estudei em Macau para obter a licenciatura de tradução. Tive oportunidade de ir a Portugal no 2º ano do curso e estudei no Instituto Politécnico de Leiria”, recorda, acrescentando que depois de acabar o curso, tentou procurar emprego em Macau, com base no Português, mas não teve sucesso.
“Infelizmente, como não tinha o BIR, não foi possível obter um bom emprego, que sustentasse a minha vida em Macau. No final, decidi regressar a Hong Kong”, referiu.
Apesar de ter começado o projecto e estar a dar aulas, Alexandre Lui trabalha durante o dia numa empresa de importação e exportação que tem negócios com empresários brasileiros.



