Numa carta enviada à PJ, o deputado Au Kam San insiste que a reivindicação de um pedido de desculpas, face a alegações de escutas ilegais, é ridícula. Por isso, não encontra nenhum motivo para o fazer

 

Viviana Chan

 

Au Kam San entregou ontem uma resposta oficial à notificação da Polícia Judiciária (PJ), onde mantém a sua recusa em pedir desculpas publicamente, em relação a alegações de escutas ilegais levadas a cabo por esse órgão policial.

Na carta dirigida ao director da PJ, Sit Chong Meng, o deputado salientou: “Acho muito ridícula [a reivindicação da PJ], não sei por que razão vale um pedido de desculpas”.

Na missiva, o deputado explicou o contexto das suas alegações, mencionando que surgiram numa entrevista ao jornal “Ou Mun”, ocasião em que comentou a revisão do Regime Jurídico da Intercepção de Comunicações. Au Kam San estava preocupado com a delegação de mais direitos à polícia e falta de fiscalização da mesma. Mais especificamente, referiu um caso de 2009 e as alegadas escutas ilegais pelas autoridades.

“O caso que mencionei na entrevista, é totalmente verdade, não é nada inventado. Como deputado, não percebo porque é que uma pessoa que é nomeada para fiscalizar o Governo, quando lança dúvidas sobre o Executivo, eventualmente, possa ser acusada do crime de difamação”, questionou.

Na sua opinião, as autoridades devem esclarecer as dúvidas das pessoas em vez de impedir os deputados de falar e muito menos ameaçarem com acusações criminais.

Au Kam San está convicto que se as autoridades policiais avançarem com uma acusação contra si, será criado um “efeito inibidor” de repressão da liberdade de expressão. “Acredito que as pessoas ficarem caladas por causa disso é um cenário que os dirigentes chineses de topo não querem ver aqui, quando Macau é supostamente exemplo para realização da política de Um País, Dois Sistemas”, frisou.