A Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau reuniu com o Secretário para a Economia e Finanças e aproveitou a ocasião para defender aumentos de 6% para os funcionários de todas as empresas do sector do jogo. Na ocasião, a associação também alertou para a situação de “difícil sobrevivência” das pequenas e médias empresas
Inês Almeida
O Secretário para a Economia e Finanças recebeu ontem elementos da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), incluindo o presidente da direcção, José Pereira Coutinho.
Durante o encontro, a ATFPM recordou que o Chefe do Executivo anunciou recentemente que os salários na Função Pública terão uma actualização de 3,4% a partir do dia 1 de Janeiro. “Contudo, durante muito tempo, os trabalhadores têm trabalhado arduamente”, alguns deles por turnos, o que representa “um sério fardo para a saúde, mas não receberam qualquer subsídio”, considera a associação.
Nesse contexto, “a ATFPM sugere que o salário dos trabalhadores de todas as empresas de jogos aumente em 6% a 1 de Janeiro de 2020”.
Ao mesmo tempo, entende que devem ser concedidos subsídios aos trabalhadores que exercem funções durante a noite e por turnos por forma a compensar o desgaste físico.
Por outro lado, o ATFPM garantiu ter recebido “muitas queixas” de trabalhadores das empresas de jogos sobre o mau ambiente de trabalho. “Em particular, os trabalhadores da linha da frente são frequentemente desprezados e tratados com palavras sujas, mesmo com violência”, denunciou.
Os responsáveis da associação chamaram ainda a atenção para os problemas das pequenas e médias empresas (PME), vistas como “limitadas e de difícil sobrevivência”. “As PME enfrentam problemas com os procedimentos administrativos complicados, prolongando o tempo de espera nos pedidos de licenças, a proliferação de plantas de construção consoante os serviços públicos envolvidos, as rendas elevadas, escassez de recursos humanos e perda de talentos locais”, refere uma nota da associação dirigida por Pereira Coutinho.
No mesmo âmbito foi destacada a importância das Leis da Defesa do Consumidor, da Concorrência Leal e da Contratação Pública, que são consideradas “pilares importantes para salvaguardar a justiça social de Macau, a transparência do Governo e evitar a corrupção”.
Outra questão abordada prende-se com o problema da habitação para trabalhadores da administração pública. “Especialmente para trabalhadores da administração pública de base, o salário actual é simplesmente incapaz de suportar o aumento dos preços e das rendas da habitação”.
Habitação e pensões dominam assembleia geral
Decorreu ontem a Assembleia Geral da Associação de Trabalhadores da Função Pública de Macau, durante a qual foram abordados vários temas como a construção de habitação para funcionários públicos ou a atribuição de uma casa económica ou social e o aumento do subsídio para idosos, considerado “pequeno” tendo em conta a subida no preço dos bens essenciais. Por outro lado, segundo um comunicado da ATFPM, os sócios aposentados dizem-se “injustiçados” tendo em conta que o Executivo apenas actualizou os índices dos dirigentes e chefias com efeitos retroactivos a partir de 2007, esquecendo quem se reformou antes dessa data.



