A Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen) publicou no “site” do Canídromo uma mensagem indicando que distribuiu 1.000 formulários de adopção pelas associações de protecção dos animais do território. Porém, a ANIMA, a “Masdaw” e a “Furmily” não têm conhecimento dessa iniciativa nem receberam quaisquer papéis. A Yat Yuen anunciou ainda uma campanha de adopção entre os dias 17 e 24, à qual Albano Martins recusou associar-se por acreditar tratar-se de uma “farsa”
Inês Almeida e Viviana Chan
Ontem a página oficial do Canídromo apresentava uma mensagem escrita apenas em língua chinesa indicando que “mais de 1.000 formulários para adopção [dos galgos] foram distribuídos por várias associações relacionadas com a protecção dos animais no território”. “Tanto a imprensa local como o Canídromo estão a fazer apelos públicos à adopção, mas, até ao momento, só recebemos um pedido de adopção”, lamentou a empresa.
No entanto, pelo menos três associações do território dizem não ter sido contactadas. “Não foi nada mandado para nós. Ninguém nos contactou. O que disseram uma vez foi que quem quisesse adoptar podia ir ao ‘website’ preencher o formulário”, assegurou o presidente da Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA), frisando que apenas as associações “próximas de Angela Leong” devem ter sido contactadas.
“Eles andam a cuidar de cerca de 120 animais que não estão a correr. E os outros? Vão mandá-los todos para a China porque não estão reformados, então, podem ser vendidos. Pelos vistos só estão preocupados com os galgos reformados”, criticou Albano Martins. “Os reformados precisam de lá ficar, então e os outros? Os outros saem todos”.
Também Fátima Galvão, da “Masdaw”, e Iok Leng Kuok, da associação “Furmily,” garantiram a este jornal não ter sido contactadas pela Companhia de Corridas de Galgos Macau (Yat Yuen). Apenas a Associação de Protecção dos Animais Abandonados de Macau (APAAM) e o Grupo Voluntário “Everyone Stray Dogs Macau” exibe na sua página de “Facebook” imagens dos formulários de adopção do Canídromo, sem, no entanto, indicar se os mesmos foram fornecidos pela Yat Yuen.
Na mesma mensagem publicada na página do Canídromo lê-se que vai ser organizada, entre os dias 17 e 24 deste mês, uma campanha para as pessoas conhecerem melhor esta raça de cães, ficando à disposição mais de 100 galgos que passaram as avaliações do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais com vista a serem adoptados.
Albano Martins disse ter sido informado sobre a iniciativa mas recusou-se a participar. “Houve alguém do IACM que tentou convencer-me, mas recusei. Disse que não vou participar numa farsa porque o objectivo é exactamente mostrar que os animais não vão ser adoptados todos e, portanto, vão estar a mandá-los para a China”, frisou o presidente da ANIMA.
“Eles só vão fazer isso para os animais reformados. Os que estão em boas condições físicas não vão colocar à adopção. Dão a entender que o [pedido de] prolongamento [do prazo de uso do espaço do Canídromo] é por causa dos animais que estão retirados das corridas, porque os outros já lá não estarão”, criticou Albano Martins.
O presidente da ANIMA insistiu que a associação se recusou a participar “pela simples razão de que já disseram que vão mandar os animais para a China”. “O que achamos é que vai ser uma tentativa de mostrar aquilo que já sabemos que é verdade, que Macau não tem capacidade para absorver esse número de animais, portanto, recusámos para depois não dizerem que a ANIMA esteve lá e que os animais não foram adoptados. Claro que não foram adoptados em dois ou três dias. Essa campanha já devia ter acontecido há muito tempo”, defendeu.
O Canídromo recorreu ainda a dados do Executivo que apontam para uma média de 200 adopções de cães por ano, frisando que “não é uma tarefa fácil” procurar um dono para 600 galgos.
Além disso, a Yat Yuen frisou que o pedido de prolongamento do prazo de utilização do espaço por mais um ano ou apenas três meses não tinha como objectivo atrasar a saída mas foi antes uma decisão tomada tendo em conta as condições actuais. “Ainda não há um plano concreto para o espaço. Desejamos ficar lá mais tempo para podermos trabalhar melhor com os galgos, sobretudo os que já estão reformados”, indica o texto.
A Companhia de Corridas de Galgos Macau salienta que as corridas têm de se manter até à data prevista para o encerramento até porque, embora se saiba que o Canídromo encerra no dia 21 de Julho, não é possível iniciar de imediato os trabalhos de adopção dos galgos.
A nota refere ainda que a ideia de investir num projecto de turismo continua a ser concretizada. “Estamos a cooperar com um projecto de turismo fora de Macau e esperamos que possa criar um lar permanente para os galgos”, pode ler-se. A Yat Yuen assegura também que vai visitar o local para “assegurar o ambiente do futuro lar”.



